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Levei enorme susto quando o cardiologista me deu o diagnóstico: fibrilação atrial

Estima-se que 1,5 milhão de pessoas convivam com esse tipo de arritmia no Brasil, muitas sem saber. A doença aumenta o risco de Acidente Vascular Cerebral

04/01/2026
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Além da idade, fatores como hipertensão arterial, diabetes, aumento do colesterol e alterações na tireoide podem contribuir para o surgimento da doença. Foto: Reprodução

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Um dos meus grandes sustos em 2025 foi saber que estou sofrendo de uma doença chamada fibrilação atrial.

Sempre achei que minha saúde estivesse muito boa. Quando o diagnóstico veio, como não esperava, eu me senti insegura, desnorteada.

Foi o desfecho de uma história que começou poucos dias antes, quando me submeti a uma pequena intervenção para a extração de um cisto no útero.

Quando acordei da anestesia, a anestesista estava ao lado da minha cama. E me disse que eu deveria procurar um cardiologista, pois, durante a cirurgia, o meu coração havia dado sinais que precisavam ser analisados.

Fui ao cardiologista. Ele pediu vários exames. E quando voltei para saber o resultado, pelo comportamento do médico, um velho conhecido, senti que havia algo errado.

Eu me lembro bem. Ao falar da fibrilação atrial, ele disse que muita gente sofre dessa doença e não tem conhecimento, porque ela pode ser, como no meu caso, totalmente assintomática.

Mas o que me impressionou foi saber que quem tem fibrilação atrial, se não se tratar, está caminhando inevitavelmente para sofrer um AVC, acidente vascular cerebral, grave, altamente incapacitante.

Desde então sigo à risca as orientações do meu cardiologista, que visito a cada seis meses.

Leia mais sobre fibrilação atrial neste artigo da Dra. Ludhmila Hajjar, publicado na coluna Receita de Médica, de O Globo:

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia mais comum no mundo e, paradoxalmente, uma das menos percebidas pela população. Ela pode aparecer como um coração “descompassado”, palpitações rápidas ou até nenhum sintoma, e é justamente nesse silêncio que mora o perigo. A FA aumenta em até cinco vezes o risco de acidente vascular cerebral (AVC), causa sequelas devastadoras, compromete a autonomia das pessoas e sobrecarrega o sistema de saúde com internações prolongadas, reabilitação complexa e custos que poderiam ser evitados.

No Brasil, estima-se que 1,5 milhão de pessoas convivam com a arritmia, muitas sem diagnóstico. A consequência é dura: AVCs mais graves, incapacidade permanente e perda de produtividade. É um problema que cresce silenciosamente em uma população que envelhece rapidamente.

Ela nem sempre se anuncia com estrondo; muitas vezes começa com sinais discretos: palpitações irregulares, falta de ar aos esforços habituais, cansaço desproporcional, sensação de aperto no peito ou episódios de tontura. Em outros casos, é totalmente silenciosa. Mas, enquanto isso, o coração trabalha de forma caótica, sem contração eficaz dos átrios, o que compromete o enchimento ventricular, reduz o débito cardíaco e pode precipitar insuficiência cardíaca em pessoas vulneráveis. A estase sanguínea nos átrios favorece a formação de trombos, e daí nasce o risco de um AVC, que pode surgir como o primeiro “sinal” da doença.
Leia também: A partir da menopausa, saúde do coração piora rapidamente

Nos últimos anos, a ciência ofereceu uma resposta sólida: a ablação da fibrilação atrial. Um procedimento minimamente invasivo, cada vez mais seguro e eficaz, capaz de restaurar o ritmo normal e reduzir substancialmente o risco de complicações. Hoje, não é apenas uma opção terapêutica; em muitos casos, é a intervenção que muda a trajetória da doença. Ensaios clínicos demonstram que ela reduz recorrência da arritmia, melhora qualidade de vida, diminui internações e, em alguns pacientes, reduz mortalidade cardiovascular.

Também há um argumento que deveria convencer qualquer gestor público: é custo-efetiva. Quando comparamos o investimento inicial do procedimento com os gastos evitados — menos AVC, menos internações, menos uso contínuo de medicamentos de alto custo, menos anos de dependência funcional — a equação é contundente. A ablação economiza recursos e salva vidas.

O Brasil tem cardiologistas experientes, tecnologia disponível e centros preparados. A única engrenagem que falta girar é a política pública. No papel, a ablação já aparece em diretrizes e normativas. Mas no SUS real, aquele que atende milhões de pessoas todos os dias, o acesso ainda é restrito e concentrado. A consequência é cruel: quem tem plano de saúde trata cedo; quem depende do sistema público muitas vezes chega tarde demais.

É hora de abandonar a distância entre o texto e a prática. Incorporar de verdade significa garantir financiamento, organizar centros de referência, capacitar equipes, definir critérios clínicos claros e assegurar que o procedimento seja realizado com qualidade e segurança. Significa enxergar que cada ablação bem indicada evita um AVC, impede uma internação, devolve dignidade e reduz desigualdades.

Leia também: Dr. Roberto Kalil dá 10 dicas de como proteger seu coração

A FA não é apenas uma arritmia; é um marcador de vulnerabilidade. E o país que pretende avançar em saúde pública precisa enfrentar o problema com políticas efetivas, não apenas com boas intenções. A ablação da fibrilação atrial é uma dessas intervenções que carregam um valor raríssimo: salvam vidas, evitam sequelas e fazem sentido econômico.

No fim das contas, o coração pode até perder o compasso. Mas é a política pública que não pode perder o ritmo. A população brasileira não pode esperar.

(colaborou Mauricio Ibrahim Scanavacca, diretor do Serviço de Arritmia e de Eletrofisiologia do InCor-HCFMUSP)

Leia também: Quando não está bem, o coração dá sinais. Veja quais são

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Iniciei minhas atividades como jornalista na década de 70. Trabalhei em alguns dos principais veículos nacionais, como O Estado de S. Paulo e Jornal de Brasil. Mas a maior parte da minha carreira foi construída no exterior, trabalhando para a emissora britânica BBC, em Londres, onde vivi durante mais de 16 anos. No retorno ao Brasil, criei um jornal, do qual fui editora até me voltar para a internet. O 50emais ganhou vida em agosto de 2010. Escolhi o Rio de Janeiro para viver esta terceira fase da existência.

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