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“A princesa Isabel tinha personalidade e humor”

Por Maya Santana

Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon, em Paris, 1910

Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon, em Paris, 1910

Maya Santana

Acabo de ler o segundo volume da extraordinária trilogia sobre Getúlio Vargas, escrita pelo cearense Lira Neto. Já havia ganhado de presente de Natal da minha querida amiga, Tinda Costa. o terceiro e último livro contando a saga do político gaúcho, quando chegou às minhas mãos “A história da Princesa Isabel – amor, liberdade e exílio” (Editora Versal, 359 págs, R$49), da jornalista e escritora Regina Echeverria, 63, autora de tantas outras biografias importantes, como Elis Regina, Cazuza e Luiz Gonzaga, entre outras.

Abandonei Getúlio por um tempo e já comecei a ler o alentado volume, que mostra uma princesa Isabel – primeira filha de Dom Pedro II e da imperatriz Tereza Cristina – diferente de outros livros: mais humana, mais próximo, talvez, do que ela realmente foi. “Isabel tinha personalidade e humor e passou por poucas e boas no tempo em que foi regente”, afirmou a autora, em conversa com o 50emais.

O novo livro

O novo livro

A importância deste livro, resultado de pesquisa que consumiu mais de um ano da escritora e sua equipe, reside exatamente no fato de projetar um retrato mais nítido da princesa que libertou os negros da escravidão no Brasil. Só o fato de tornar livre os escravos – 13 de maio de 1888 – já deveria reservar um lugar de honra na nossa História para Isabel e fazer dela figura querida dos brasileiros. Mas, ao contrário, sempre foi retratada nos nossos livros de história como uma mulher sem graça, beata que só pensava em religião, sem personalidade própria. “Acho que essa pouca importância dada a ela”, comentou Regina, “é a mesma que se dava às mulheres de sua época, tratadas quase como escravas, submissas e a mercê dos pais e maridos.”

Com riqueza de detalhes, “A história da Princesa …” descreve a infância, a doença que quase matou Isabel, o casamento com Gastão de Orleans – o Conde D´Eu, neto de Felipe 1º, ultimo rei da França -, a preparação para suceder ao pai na condução do Brasil, os três anos e meio em que, na ausência de Dom Pedro II, governou o país, a participação do marido na Guerra do Paraguai, comandando as tropas brasileiras e a assinatura da Lei Áurea. Ao mesmo tempo em que colocou fim ao vergonhoso regime escravocrata de mais de 300 anos, a nova lei deflagrou um processo que levou, um ano e meio depois, à proclamação da República, em novembro de 1889, extinguindo de vez a monarquia. Imediatamente, todos os integrantes da família imperial foram expulsos do Brasil.

Com a ajuda de relatos de membros da família e de amigos que frequentaram a casa de Isabel na França, como o jornalista e empresário Assis Chateaubriand, entre outras fontes, a autora reconstituiu os mais de 30 anos em que a princesa viveu longe de seu país natal. Ela também passaria por momentos de grande tristeza em solo francês, com a morte de dois de seus quatro filhos.

A autora Regina Echeverria

A autora Regina Echeverria

Regina lembra que “Isabel era brasileira, carioca e nunca se esqueceu de sua terra. Foi banida, mas não alimentou teorias conspiratórias e nem deixou seus filhos serem criados no Brasil, para uma possível volta da monarquia. Depois que seu marido recuperou os bens, foi viver no Castelo D´Eu e tratou de criar os filhos. Ela nunca mais pos os pés em terras brasileiras, até morrer em 1921”, aos 75 anos de idade.

Não precisa dizer que “A história da Princesa Isabel – amor, liberdade e exílio” é um excelente presente de Natal. E de Ano Novo também.

Clique aqui para assistir à entrevista que Regina Echeverria concedeu a Jô Soares.

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1 Comentários

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Maria J.Brito Alvarez 3 de abril de 2015 - 14:57

Parabéns,Regina pela oportunidade de conhecer a história completa da Princesa Isabel! Amei o seu livro vou dar um de presente pra minha filha que é apaixonada por leitura ela é uma adolecente , ama ler!

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