Lucas Mendes: como a biografia é tratada nos EUA

Por Maya Santana
Frank Sinatra foi o único que processou. Mas depois desistiu

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A propósito dessa enorme polêmica no Brasil sobre a publicação de biografias autorizadas ou não,  o jornalista Lucas Mendes, que vive em Nova York, escreve o oportuno artigo “Piratarias em terra e mar”, sobre como a biografia é tratada nos Estados Unidos. Muito interessante, tendo em vista as posições no mínimo discutíveis de tantos artistas brasileiros, defensores apenas da biografia autorizada, ou seja, aquela que o biografado lê, gosta do que está sendo dito sobre ele e dá o sinal verde para a publicação. Não concordo. Acho que o livro tem que ser publicado. Se houver qualquer ofensa ou inverdade, cabe ao artista processar o autor. Nossa justiça é lenta? Aí, já é um outro problema.

Leia o artigo de Lucas Mendes para a BBC Brasil:

Quando um texto é publicado na mídia com os podres de um político ou celebridade é reportagem investigativa. Se as mesmas informações forem publicadas numa biografia não autorizada, é pirataria do escritor. O repórter saqueou segredos e direitos do autografado. A Constituição do Brasil, como a americana, garante o direito de privacidade e a liberdade de expressão. Quem decide se uma informação é invasão de privacidade ou liberdade de expressão é o juiz. Qual é o mistério?

O cantor entrou na justiça para retirar de circulação essa biografia

O cantor entrou na justiça para retirar de circulação essa biografia

Nos Estados Unidos, há pelo menos um biografado que se sente pirateado por semana. Estamos na semana de Johnny Carson, um dos apresentadores/comediantes mais bem sucedidos, afáveis, moderados e engraçados dos talk shows da TV americana. Um modelo para o Jô. Ele já está morto, mas os descendentes ou pessoas citadas no livro podem processar. O livro foi escrito por Henry Bushkin, advogado de Carson durante 18 anos. Conta as canalhices do animador com as mulheres, os filhos, com todos com quem conviveu de perto e, muitas vezes, também de longe. Foi um solitário incapaz de amar, ser amado e manter amizades. A culpa, dizia ele, era da mãe repressora.

Biografia autorizada nem sempre é garantia de retrato positivo. O historiador William Manchester tinha publicado uma biografia deslumbrada sobre o presidente John F. Kennedy quatro anos depois da morte deste. Jacqueline Kennedy e Bob Kennedy, irmão do presidente, encomendaram a Manchester um outro livro para contar a história do dia do assassinato em Dallas. Pagaram a ele US$ 40 mil de adiantamento, teriam controle do conteúdo e os royalties iriam para a biblioteca Kennedy. Quando Manchester vendeu os direitos de serialização para a revista Look, por US$ 650 mil, os Kennedys protestaram. Além de exigir o dinheiro para a biblioteca, queriam fazer cortes.

Entre eles, trechos sobre Jacqueline fumando, um segredo, a informação que o presidente não tinha dormido com ela na véspera porque estava com diarreia e que, no avião, entre Dallas e Washington, com o corpo do marido a bordo, ela se olhava no espelho e fazia comentários preocupados com as rugas. Manchester fez alguns cortes, mas não todos. Os Kennedys entraram na Justiça.  Manchester fez alguns cortes, mas não todos. Os Kennedys entraram na Justiça. A repercussão foi péssima para ela e quando ameaçou a campanha politica de Bob, fizeram um acordo antes do julgamento.  Clique aqui para ler mais.


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