Lygia Mattos: o bordado como obra de arte

Por Maya Santana
Tudo no ateliê, fundado nos anos 50, é feito a mão

Tudo no ateliê, fundado nos anos 50, é feito a mão

Vai me corrigindo, Patrícia. Porque eu ainda não era nascida”, refere-se Cláudia Mattos ao início do percurso da mãe, Lygia Mattos, falecida em 1995 e fundadora da empresa de bordados exclusivamente manuais que presentearam, entre outras personalidades, a duquesa de Windsor, Wally Simpson, e a princesa Diana. Junto com a irmã, Patrícia, elas dão continuidade à produção de toalhas de mesa, jogos americanos e roupas de cama cujo preciosismo do trabalho foi exposto fora do Brasil e, se hoje não mais atendem a famílias europeias e americanas, não é por nenhum outro motivo senão falta de tempo.

Uma toalha pode demorar até um ano para ficar pronta. Todos tecidos são molhados e permanecem mergulhados em tanques por 48 horas. As linhas, na maioria importadas, não soltam tinta, e também são testadas previamente. “Optamos por manter a qualidade de peças que duram até 40 anos para atender somente à demanda nacional”, diz Patrícia Mattos.

Tudo começou em 1950, quando Ligya Mattos, aos 24 anos, pouco mais de dois anos de casada e uma filha (Patrícia), separou-se do marido, os enxovais eram vendidos de porta em porta e as mulheres não trabalhavam fora. Dona de belíssimas peças, a maioria ainda não usada, Lygia começou a ouvir das pessoas a pergunta que, por necessidade financeira, mudaria sua vida: “Por que não vende seu enxoval?” Esgotado o próprio acervo, ela começou a mandar fazer toalhas de mesa, roupas de cama, jogos americanos para vender. “Percebeu que não deveria comprar dos caixeiros viajantes”, pontua Patrícia. Sua marca registrada e diferencial: gosto refinado e muito tino para negócios.

Princesa Diana foi uma das que ganharam peças assinadas por Ligya Mattos

Princesa Diana foi uma das clientes da famosa grife

“Aos 26 anos minha mãe e minha avó foram para a Europa e durante três meses correram o continente em busca de matéria-prima. Ela desbravou este nicho e o que trouxe estava muito à frente do que havia no Brasil. Alguns desses fornecedores trabalham conosco até hoje”, diz Patrícia. Linhas, tecidos de algodão, linho, organza, a até mesmo agulha foram itens que a jovem trouxe de fora para dar início a seu negócio que, 50 anos depois, preserva a minúcia dos pontos cheio, haste, beauvais e tantos outros pesquisados e aprimorados em viagens a museus mundo afora. Foi Lygia quem, segundo as filhas, incrementou o uso de cores intensas e flores em peças de tal sofisticação que muitas vezes eram bordadas com fios de ouro.

Ao longo dos anos o negócio cresceu e desde 1974 ocupa um casarão na Pampulha, construído especificamente para abrigar o ateliê, onde se concentra toda a produção e os 64 funcionários: dos mais de 2 mil riscos, muitas vezes criados com exclusividade por equipe própria de desenhistas, aos estoques, bordados e passação das peças. Flores e pássaros destacam-se pela beleza das cores, muitas vezes com destaque para o vermelho, cor preferida de Lygia Mattos. Leia mais em viverbem.com.br

Não deixe de ver também a reportagem da jornalista de moda Lilian Pacci:  O bordado de luxo do Ateliê Lygia Mattos


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6 Comentários

Natalina 21 de fevereiro de 2020 - 17:37

Boa tarde,meu nome e Natálina minha mãe tbm bordou uns 30 anos pra dona Lígia…cada caisa mais linda do que a outra…. E eu tbm bordei, só que por pouco tempo….sinto saudades…

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JAIRO JOSE VILAR 14 de novembro de 2017 - 17:45

TENHO UMA RARIDADE SEMI NOVA( CONJUNTO DE COLCHA LENÇOL E FRONHAS )BRANCO PRODUZIDO POR LYGIA MATTOS NA DECADA DE 50 CASO INTERESSE ESTA RARIDADE ENTRE EN CONTATO

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Claudia 24 de junho de 2018 - 22:27

Eu tenho intetesse. Meu email [email protected]

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Flavia Martins 23 de julho de 2018 - 19:26

Você ainda tem as peças? Pode mendar o seu telefone descontado?

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LIDIA LUZ 21 de setembro de 2015 - 11:03

MINHA MÃE FOI UM DAS BORDADEIRAS DA DONA LYGIA, TINHA MÃOS DE FADA, BORDANDO COISAS LINDAS , SINTO SAUDADE DELAS

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Elda Alves 1 de fevereiro de 2014 - 15:33

Preciso do telefone e endereco

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