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‘Medicina sem Pressa’ propõe mais conversa e menos remédios

Por Maya Santana

A ideia é que o paciente seja visto como uma pessoa completa, não como um conjunto de enfermidades

A ideia é que o paciente seja visto como uma pessoa completa, não como um conjunto de enfermidades

Maya Santana, 50emais

Com a vida corrida do jeito que anda é raro a gente encontrar hoje quem não tenha passado pela experiência daquela consulta rápida em que o médico mal toca no paciente, receita logo alguma coisa e dá por encerrado o seu tempo. Comigo já aconteceu algumas vezes. A pior delas foi quando procurei um dermatologista por causa de um problema na pele de dois dedos da mão direita. A coisa estava me incomodando e decidi recorrer à medicina. A consulta, paga pelo meu plano de saúde, transcorreu assim: entrei no consultório e me sentei à frente do médico. Em seguida, mostrei os dedos. Ele deu uma rápida olhada e diagnosticou: “Isso não tem problema algum. É da idade.” Como foi rápido demais, me senti na obrigação de achar mais alguma coisa para me queixar. Mostrei uma mancha que coçava de vez em quando. “Isso não é nada. Passe um creme para não ressecar”. Foi tudo que ele disse. Não fez uma pergunta sequer. Saí com a sensação de que ele estava brincando de médico. Agora, leio sobre esse movimento internacional que está chegando ao Brasil, pedindo mais atenção com o paciente como um todo. Mais conversa, menos remédios, menos exames. Acho muito bom. Tomara que pegue.

Leia neste artigo de Tomás Chiaverini, da BBC Brasil, os detalhes do movimento “Medicina Sem Pressa”:

Uma medicina mais lenta e atenta às necessidades individuais de cada paciente, que priorize o diagnóstico clínico –e não os exames– e a prevenção em vez da medicação.

Esses são alguns dos pontos defendidos pelo movimento Slow Medicine (“Medicina Sem Pressa”, em tradução livre), que desembarcou há pouco no Brasil.

Trata-se da versão medicinal de uma filosofia que teve origem na gastronomia em 1986, na Itália, e ganhou em 2004 sua bíblia, o livro “Devagar – Como um Movimento Mundial está Desafiando o Culto da Velocidade”, do jornalista britânico radicado no Canadá Carl Honoré.

Ao destrinchar um movimento que pede calma numa sociedade estressada pela pressa, o autor agradou leitores de todo o mundo e acabou na estante dos mais vendidos. E a moda “Slow” ganhou adeptos ao redor do planeta –e em diversas áreas.

Na medicina, o termo foi usado pela primeira vez pelo cardiologista italiano Alberto Dolara, num artigo publicado em 2002. Para ele, o movimento “Slow” seria uma contrapartida ao “constante impulso de aceleração na sociedade moderna”.

Consultas mais demoradas são um dos pilares da filosofia –a ideia é que o paciente seja visto como uma pessoa completa, não como um conjunto de enfermidades–, mas há outros aspectos envolvidos.

Entre eles estão o compartilhamento das decisões, a ênfase na saúde e não na doença e a prevenção como terapia.

As propostas, no entanto, recebem críticas de outros especialistas, que defendem haver outras prioridades na medicina.

“Até louvo as entidades que queiram ter uma medicina mais personalizada”, disse o ex-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia Aguinaldo Nardi. “É o que nós devíamos ter mesmo. Mas estamos muito longe disso.”

Para o médico, porém, o primeiro passo seria ter um bom sistema de saúde global. “Nós ainda estamos longe de ter uma saúde de qualidade para todos”, afirmou.

Menos remédios e exames
Já os entusiastas da “Slow Medicine” afirmam que suas propostas poderiam baratear o sistema de saúde ao propor, por exemplo, um menor uso de medicamentos e exames.

“Acho nossos remédios uma maravilha”, afirmou o clínico-geral, geriatra e cofundador da Slow Medicine no Brasil José Carlos Aquino de Campos Velho. “Hoje temos a possibilidade de curar ou controlar doenças que até 20 anos atrás matavam. Mas a questão é o uso abusivo e excessivo de medicamentos”. Clique aqui para ler mais.

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1 Comentários

‘Medicina sem Pressa’ propõe mais conversa e menos remédios | JETSS – SITES & BLOGS 10 de janeiro de 2017 - 16:09

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