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Mais de duas mil preparam o 'Toplessaço' em Ipanema

Por Maya Santana

Seguindo o lema "Se os homens podem, por que não posso?" elas vão invadir a praia

Ana e Bruna: Se os homens podem, por que não podemos?



Aos poucos, o Rio de Janeiro vai virando aquele grande forno de todo verão.  Ainda faltam mais de duas semanas para a chegada da nova estação e os termômetros devem bater nos 40 graus nesta quinta-feira. Para aproveitar esse “clima quente”, mais de duas mil pessoas, inclusive homens, já clicaram na página do Facebook que convida para o ato de protesto, de acordo com artigo de Paloma Savedra para o jornal O Dia, contra o uso obrigatório do “sutiã” do biquini.

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Não é só pela parte de cima do biquíni. A causa é por um verão sem ‘marcas’ — de repressão, com o perdão do trocadilho — e uma praia mais livre. A abertura da estação mais quente do ano, dia 21, promete: um topless coletivo tomará as areias de Ipanema, num protesto acalorado com a bandeira da “naturalização dos corpos”. Já são mais de 2 mil pessoas confirmadas no ‘Toplessaço’ — até homens se incluíram na página do evento no Facebook.
Criadora do ato, a atriz e produtora Ana Rios, 23 anos, diz que teve a ideia enquanto participava da Marcha das Vadias, em julho. Porém, pontua o recente episódio em que a atriz Cristina Flores, 37, foi repreendida por PMs no Arpoador, enquanto fotografava sem a peça superior do biquíni para divulgação de sua peça, como a gota d’água.
Sem a parte de cima do biquíni, elas vão invadir a praia no dia 21

Sem a parte de cima do biquíni, elas vão invadir a praia no dia 21


Estava na marcha de sutiã e a reação das pessoas era agressiva. O que aconteceu com a Cristina me fez criar o evento. No Rio, isso é visto como caso de polícia. Sempre estranhei essa moral do Brasil, onde, numa época do ano (o carnaval), as mulheres desfilam nuas. Vemos isso nas bancas de jornal. Aqui o feminino é sexualizado e só visto como consumo”, disse Ana, que também é voluntária da Anistia Internacional no Brasil. Ela ganhou o apoio da amiga e produtora Bruna Oliveira, 23, que também está na linha de frente do ato. “Espero que não fique só no Facebook”, lembra a jovem, que fará seu primeiro topless.
O ato está marcado para as 10h e vai até as 19h, na orla de Ipanema. Mas elas pedem ‘solidariedade’ de outras praias do Rio e outras partes do país e já ganharam adesão de frequentadores do litoral capixaba. Com presença confirmada, a arquiteta Maíra Rocha, 28, critica a proibição do topless. “É importante deserotizar uma coisa que é natural. E dois triângulos de pano não podem dividir as mulheres em respeitáveis e vadias”.
Dizendo-se contra o machismo, o estudante de História Guilherme Alves, 25, propõe o apoio masculino. “Acho atrasada essa ideia de criminalizar os seios femininos”. Ana alerta: “Não é pra levar pro lado sexual. Já sofremos violências diárias ouvindo agressões nas ruas”.
Desde 1970, o topless é polêmica nas praias do Rio. Em 1979, Patrícia Casé foi flagrada só com a parte de baixo do biquini, em Ipanema, levantando a discussão. Hoje, ainda estranha a repressão: “É sacralizar demais o corpo”. Cristina Flores, abordada dia 14 de outubro, questiona o poder da PM em definir o suposto atentado ao pudor: “Quando fui vista como ‘criminosa’, tirei um véu de hipocrisia que vestia sem saber. Por que o homem pode e eu não?”.

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Ana 6 de dezembro de 2013 - 10:27

Nunca entendi que aqui no Brasil, país cheio de praias, o topless seja proibido. Até em Portugal e Grécia, países bem + conservadores que o nosso – as mulheres fazem topless há décadas. Eu mesma fiz qdo estive nestes países.

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