Marina, Dilma, Aécio, Luciana ou Eduardo Jorge?

Por Maya Santana
Se você não vota no mesmo candidato, é tratado como inimigo

Se você não vota no mesmo candidato, é tratado como inimigo

Maya Santana

Agora que o dia 5 de outubro está chegando, a cena se verifica com mais e mais frequência: Você está numa roda de conhecidos (e desconhecidos), de repente iniciam uma conversa sobre as eleições. Você se aventura e diz que vai votar em um determinado candidato, seja lá qual for: Marina, Aécio, Dilma, Luciana ou Eduardo Jorge. O papo, ameno até então, invariavelmente desanda. Na mesma hora, uns dois ou três querem mostrar para você os defeitos do seu candidato e, sem cerimônia, depois de tecer elogios ao candidato deles, tentam cooptar você, para que vote no que vão votar. É impossível dialogar, ter uma discussão saudável, se a sua opinião não se encaixa na deles.

Irrita bastante dizer para alguém em quem você vai votar e ouvir do outro ou da outra uma verdadeira preleção, na qual vem embutido o desejo de mudar a sua opinião, não com ideias, mas desmerecendo você e a sua opção de candidato. Essas pessoas agem como se só elas vivessem a realidade do Brasil; só elas tivessem inteligência e conhecimento para saber o que é melhor para o país. São autoritárias e arrogantes. Tratam como inimigo e até partem para a agressão quem ousa contrariá-las. As redes sociais estão aí mostrando abertamente como a intolerância anda solta.

Há poucos dias, o escritor Luiz Rufatto escreveu um artigo para o jornal El País com o título “Reféns da Intolerância“, falando exatamente do quanto é difícil para nós conviver com quem tem opiniões que divergem das nossas. Postei esse artigo aqui no 50emais. É dele que retirei esse parágrafo:

“Acredito que todos já sabíamos que nós, os brasileiros, somos intolerantes – mas é assustador perceber, por meio das redes sociais, o tamanho desse problema, fruto da ignorância e da arrogância. Temos uma enorme dificuldade de conviver com opiniões contrárias ou divergentes das nossas. Somos cordiais com todos aqueles que, de alguma maneira, comungam conosco pontos de vista similares, mas basta o menor sinal de contrariedade para demonstrarmos toda a nossa fúria. Como não estamos familiarizados com o exercício do diálogo, ao invés de buscar convencer o outro com argumentos, partimos imediatamente para a tentativa de aniquilá-lo.”

Isso, a gente presencia a toda hora. Você mesmo já deve ter vivido essa situação das mais desagradáveis. Quando será que vamos nos convencer que a troca franca de ideias é a mais enriquecedora das experiências? Quando será que vamos ter maturidade suficiente para por fim a essa patrulha inominável?


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