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Marisa Orth está prestes a aparecer diante das câmeras de um jeito bem sensual. Aos 62 anos, a atriz protagoniza uma produção erótica ao lado do ator e modelo Vitor Gadelha, de 31 anos. O filme estreia em 30 de setembro na plataforma brasileira Amasso e, antes mesmo do lançamento, já provoca uma discussão que vai muito além das cenas de sensualidade: por que o desejo de uma mulher madura ainda causa tanta surpresa?
Com cerca de dez minutos e filmado em preto e branco, o curta tem direção de Gringo Cardia e codireção de Bárbara Paz. Embora venha sendo chamado de “filme adulto” em algumas manchetes, a produção não apresenta sexo explícito. A proposta é explorar erotismo, fantasia, aproximação e desejo por meio de uma linguagem cinematográfica.
A própria Marisa faz questão dessa distinção. Em entrevista a O Globo, ela contou que a inspiração visual passa por “Justify My Love”, videoclipe lançado por Madonna em 1990 e marcado por uma sensualidade que trabalha muito mais com sugestão do que com exposição.
O convite, segundo a atriz, inicialmente, provocou estranhamento. Marisa decidiu participar depois de pensar no tratamento artístico que poderia ser dado ao projeto e buscou Gringo Cardia, com quem já tinha uma relação profissional de confiança. As filmagens aconteceram em fevereiro.
Quando fala sobre idade a atriz transforma o lançamento em algo maior do que uma experiência profissional. “A minha contribuição para a luta anti-etarista e antimachista é mostrar na prática”, afirmou. Em outra declaração, resumiu a discussão sobre sexo e maturidade de maneira ainda mais direta: “Ela existe. Ponto.”
Sexualidade não desaparece depois dos 50
Talvez esteja justamente aí a questão mais interessante levantada pelo filme. A sociedade avançou ao falar sobre envelhecimento ativo, novos relacionamentos e qualidade de vida depois dos 50, mas a sexualidade das pessoas maduras, especialmente das mulheres, ainda costuma ser tratada com constrangimento, silêncio ou surpresa.
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Quando um homem mais velho aparece romanticamente envolvido com uma mulher mais jovem no cinema, na televisão ou na vida pública, a diferença de idade muitas vezes passa quase despercebida. Quando essa lógica se inverte, a idade da mulher rapidamente vira parte da notícia.
No filme protagonizado por Marisa, são mais de 30 anos de diferença entre ela e Vitor Gadelha. É interessante perceber o quanto esse dado revela sobre os padrões que ainda usamos para enxergar desejo, beleza e envelhecimento.
Desafiando convenções
Marisa também contou que gostou do que viu quando assistiu às imagens. Disse ter se achado “extremamente bonita” e manifestou o desejo de que o trabalho possa ajudar outras mulheres mais velhas a se sentirem mais livres em relação ao próprio corpo.
Não é a primeira vez que a atriz desafia convenções relacionadas à sensualidade. Em 1997, aos 33 anos e vivendo o enorme sucesso de Magda no programa Sai de Baixo, Marisa posou nua para a revista Playboy.
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Quase três décadas depois, volta a colocar sensualidade e corpo diante das câmeras, agora em outra fase da vida e num contexto em que envelhecimento feminino, autoestima e etarismo ganharam espaço no debate público.
Direito ao desejo
Há ainda uma coincidência em seus trabalhos recentes. Marisa participa de O Pecado Mora em Cima, filme com Miguel Falabella que também aborda sexo e maturidade. Na história, eles interpretam um casal que enfrenta o desgaste da vida sexual, enquanto observa a intensa relação dos vizinhos.
Será esse um sinal de que alguma coisa está começando a mudar também nas telas. Pessoas com mais de 50 anos continuam se apaixonando, começando relacionamentos, terminando outros, sentindo atração, descobrindo novas formas de intimidade e querendo ser desejadas. Isso não deveria causar espanto.
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No fim das contas, a maior provocação de Marisa Orth não está apenas nas imagens do filme, mas também na naturalidade com que uma mulher de 62 anos reivindica algo que nunca deixou de lhe pertencer: o direito de ter desejo.





