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Mariza Tavares: o problema é quando o marido se aposenta

Por Maya Santana

Os atritos começam quando ele começa a ficar muito tempo em casa

Maya Santana, 50emais

Esse é um drama que realmente ocorre quando, aos 65 anos ou mais, o homem, que passou a vida inteira trabalhando fora de casa, passa a ficar em casa, normalmente sem fazer nada, porque se aposentou. É aí que começam os atritos. Tenho amigas e conhecidas que vivem reclamando dessa situação. Com o título “Maridos aposentados, mulheres aflitas”, Mariza Tavares, do portal G1, escreveu este texto muito bom sobre o assunto.

Leia:

No elevador, numa conversa amena com a vizinha simpática e ativa na faixa entre 65 e 70 anos, me surpreendi com a frase dela a respeito do marido, aposentado há cerca de uma década: “dou o café da manhã e mando ele para a rua”. Passei a prestar atenção nos homens idosos das redondezas e descobri que muitos faziam uma espécie de circuito na parte da manhã que incluía caminhada, conversa com o jornaleiro, passadinhas no banco e pausa para café, suco ou chope – já por volta das 11h – num boteco.

Na hora do almoço, eles sumiam. Mesmo que esse panorama esteja mudando, o ambiente doméstico é, culturalmente, o espaço feminino. Para as gerações mais velhas, que ainda se identificam com papéis rígidos, ao homem cabia ser provedor da casa; à esposa, zelar pelo perfeito funcionamento do lar. Ou seja, cada um no seu quadrado. O problema é que, quando ele se aposenta, os dois passam a dividir o mesmo território, o que pode estressar a convivência.

“Quero arrumar a casa e preparar o almoço, com ele sentado na poltrona da sala não é possível”, era a explicação da minha vizinha. Se o marido passa a se encarregar das compras do mercado, tanto melhor, porque a mulher fica menos sobrecarregada e ele ganha uma ocupação, mas o que está por trás desse quadro é uma realidade que com frequência abate o homem: quando sai de cena e se vê sem o seu “sobrenome corporativo”, a perda é muito maior para ele, que viveu apenas em função da profissão.

Não se pode ignorar o papel que o trabalho tem de ordenador da vida humana: para a maioria, define sua própria existência. Fantasiar a aposentadoria como um período mágico de dolce far niente acaba frustrando expectativas e pode até levar à depressão. Como qualquer fase nova, é indispensável preparar-se, e não apenas financeiramente.

Como estamos vivendo mais, o planejamento de um projeto pós-carreira vai ser a chave para também viver bem, com satisfação e um propósito. Se o antigo emprego era sinônimo de sacrifícios e baixa realização pessoal, outro motivo para aproveita o tempo que agora é seu para fazer algo que lhe dê prazer. Tive um tio muito querido que se dedicava à carpintaria como hobby. Aliás, a dedicação era tanta que fez todos os móveis da sala. Ao se aposentar, “dava expediente” no quartinho dos fundos do apartamento, produzindo belas peças de madeira. No fim da tarde, tomava um drinque com minha tia. Clique aqui para ler mais.

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1 Comentários

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Maria 30 de abril de 2018 - 11:23

Que o maior problema seja esse mesmo.Agora, quando “metem o nariz em tudo” que dantes a mulher tinha como rotina, pode dar motivos a divórcios. As mulheres sentem-se controladas, habituadas há muitos anos a não terem ordens de chefia, vêm-se desesperadas, pois agora o chefe é muito familiar, e a paciência fica igual à do homem, ou seja: nenhuma!
Numa etapa da vida em que pensam ter conquistado o direito da tranquilidade( os anos assim o dizem) não há paciência para aceitar novas opiniões e mudanças duma rotina que já é efectuada aos anos!
Prejudicial mesmo esta fase!

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