Muito medo de envelhecer pode ser um problema

Por Maya Santana
 A gerontofobia é a rejeição total da velhice

A gerontofobia é a rejeição total da velhice

Talvez por verem a decadência física que vem com a idade como a prova mais cabal da nossa finitude, não são poucas as mulheres que têm verdadeiro pavor do envelhecimento. Algumas fazem de tudo para preservar a juventude, mesmo quando esta já se foi há muito tempo. Sofrem de Gerontofobia. É delas que trata esse ótimo artigo escrito por Thais Carvalho Diniz para o Uol:

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O envelhecimento faz parte do desenvolvimento do ser humano. Porém, para algumas pessoas, estar perto de idosos ou identificar em si mesmo marcas de que o tempo está passando –como rugas– pode ser assustador. A gerontofobia caracteriza a rejeição à velhice e, consequentemente, aos que que estão passando por ela.

De acordo com Marcelo Betinardi, psiquiatra do Instituto Abuchaim, em Porto Alegre (RS), os motivos que levam a essa recusa variam muito, já que dependem das experiências do indivíduo com a velhice e de como o idoso é tratado por quem está a sua volta ao longo dos anos.

“Um dos temores do ser humano é a morte, e a velhice é um prenúncio dela. Ao ver esse estágio da vida se aproximar, a pessoa percebe que há finitude e começa a negá-la, tentando não deixar que isso aconteça com ela, seja com exercícios físicos ou cirurgias plásticas, por exemplo”, diz.

Ainda, sem registro no CID-10 (Classificação Internacional das Doenças), a gerontofobia não é considerada diagnóstico. No entanto, é possível percebê-la na conduta do indivíduo.

“Chamamos de fobia porque é um medo excessivo e desproporcional ao risco oferecido por tal coisa. No caso, o envelhecimento. Pessoas que discriminam idosos, que estão preocupadas demais com a aparência, adultos que se comportam como jovens são exemplos. É claro que não podemos generalizar, pois um conjunto de fatores é que vai determinar se o que você tem é gerontofobia ou não”, explica Dinah Akerman, psiquiatra pela USP (Universidade de São Paulo).

A psicanalista e membro da SBPRJ (Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro) Maria Cristina Amendoeira usa o romance de Oscar Wilde, “O Retrato de Dorian Gray” (1890), para explicar esse temor, já que o protagonista da obra usa um retrato seu exposto em um quadro para ter as suas marcas do tempo e não tê-las em si mesmo.

“Não existe uma idade para despertar esse sentimento, que é inconsciente. Mas, a partir de certos momentos, quando começamos a perder pessoas próximas ou mesmo quando vemos nossos pais envelhecerem, e isso significa o nosso próprio envelhecimento, nos deparamos com o fim da ilusão de que a vida é eterna. Muitas pessoas não sabem lidar com as mudanças que cada fase traz, começam a pensar de forma fixa em como será a sua velhice, e é aí que está o problema”, fala. Clique aqui para ler mais.


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