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Mercado brasileiro ainda negligencia a 3ª idade

Por Maya Santana
71% dos brasileiros com mais de 60 anos têm independência financeira

71% dos brasileiros com mais de 60 anos têm independência financeira

Pesquisa do IBGE mostra que a terceira idade brasileira tem alto poder de consumo. Só em 2013, as compras das pessoas com mais de 60 anos representaram 34% do total gasto pela população. Mesmo assim ainda são raros no mercado do país produtos específicos para pessoas nesta faixa etária.

Leia o artigo publicado pelo site zh.clicrbs.com.br:

Não encarar a terceira idade como um sinônimo de velhice abre portas para novas possibilidades. Se 71% dos brasileiros com mais de 60 anos têm independência financeira, aí está um grande potencial de consumo. Só em 2013, segundo a consultoria Escopo, especializada em estudos de geomarketing, os idosos gastaram em torno de R$ 1 trilhão, 34% do total gasto pela população brasileira. No entanto, 45% têm dificuldades para encontrar produtos adequados, segundo pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito. O IBGE trata a população com mais de 60 anos como um grupo com alto poder de consumo.

– Nos Estados Unidos, boa parte do espaço comercial da TV aberta é dedicado aos produtos para terceira idade, que vão desde planos de saúde até utensílios domésticos. O Brasil ainda está engatinhando nessa área. Os baby boomers estão começando a se aposentar, então é preciso olhar para esse grupo com mais atenção. Eles precisam de produtos adequados e não de produtos para velhos – aponta o professor de comunicação Dado Schneider.

Se há um grupo chegando aos 60 pronto para aproveitar a nova fase e investir as economias em viagens, estudos e numa vida com qualidade, há quem esteja nessa faixa sem saber direito como recarregar os créditos do cartão do metrô.

– Os idosos também querem comprar pela internet, saber pesquisar no Google. Se os mais jovens não estão dispostos a mostrar como a tecnologia funciona, o país perde em crescimento. Eu mesmo, com 53 anos, sofri com a reserva de mercado da informática dedicada aos mais jovens que nos impede de acompanhar a evolução digital – diz Schneider.

Para Stella Susskind, presidente da Shopper Experience, os sessentões estão procurando se atualizar em tecnologia. Podem até comprar menos pela internet do que os mais jovens, mas procuram pesquisar para barganhar melhor preço ou não serem enganados. Para ela, é no atendimento que reside o problema:

– Todo mundo gosta de um atendimento especial, de atenção em relação ao que foi procurar na loja. No entanto, os empresários brasileiros não estão atentos ao consumo inclusivo. Muitas pessoas dessa faixa etária reclamam que se sentem invisíveis nas lojas. As empresas precisam mudar sua cultura agora para atender a demanda que vai explodir em 10 anos.

O aprendizado, principalmente em relação às novas tecnologias, é em ondas. Eles aprendem e, se não exercitam, precisam rever os conteúdos. Assim que colocam a tecnologia no dia a dia, não param e tomam gosto. Como as novas gerações têm pouca paciência para ensinar, crescem no mercado, para quem pode pagar, especialistas que atendem a terceira idade de forma exclusiva. Dado confessa que recorreu a um personal para acompanhá-lo nas primeiras experiências com a internet:

– Foi como aprender um novo idioma. Minha geração foi educada para não errar. A nova geração é beta: ele erram até acertar e encaram o erro com naturalidade. Temos muita informação para trocar com as gerações X, Y e Z, mas estamos constrangidos porque eles nos olham como pessoas inúteis por não saber baixar um filme na internet.

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Recentemente, Dado esteve na Campus Party, reduto tecnológico jovem que acontece anualmente em São Paulo, falando sobre o conceito de Digiriatria, em que explica que todos seremos velhos digitais um dia. Viu lá meninos de 16 anos apresentando projetos inovadores a senhores engravatados:

– Quem está no comando das grandes empresas hoje? Quem tem potencial para investir nas ideias desses garotos? Os baby boomers, os cinquentões, os sessentões, os setentões.

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