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Meu Pai, por Lisa Santana

Por Maya Santana
 Uma parte de Santa Luzia, perto da nossa casa. Foto: Anderson Sutherland

Uma parte de Santa Luzia, perto da nossa casa. Foto: Anderson Sutherland

Meus olhos de menina
Viam o meu pai muito grande
Aquele meu pai que não era
De falar muito com crianças
Mas estava sempre enrabichado com elas.
Nos acordava cedinho,
 Eu e meus três irmãos mais novos
 Nos empoleirava na boleia de seu jipe…
E lá íamos nós… em um silêncio quase medroso
Mas achando que o mundo
Era o melhor lugar do mundo!
Às vezes, o ouvia  dizer à minha mãe:
-Menino não tem querer não, Clara!
Pra logo em seguida emendar:
– Querem ir passear comigo?
Quantas vezes debulhei fava pro almoço
Ali quietinha.
Só ele e eu.
Sem falarmos nada
Num silêncio que só não era muito
Porque as favas saltavam da casca
Fazendo um barulhinho bom…
Ploc…ploc
E nós dois ali,
Sem dizermos nada e
Cercados de felicidade.
E nós dois ali…
E eu lá, menina
 E pensava:
– Que bom que era ser filha do meu pai!

 

Elisa Santana, 59 é atriz, Professora de Teatro da PUC/MG e Poeta.

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11 Comentários

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Nenez 4 de agosto de 2017 - 22:30

Tudo muito lindo!!!!

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Luzia Werneck 4 de agosto de 2017 - 15:09

Parece que estou lá- pertinho de seo Duca – uma criatura que tinha como curinga – a palavra Criatura. Que delícia – pegar a chave do jipe falar entre os dentes- quase sussurando – vão da uma volta lá em cima… Lisa dos pés de manga, das revistinhas em quadrinhos, das risadas, do cigarro roubado pelo fundo do maço!! Ô Lisa: parabéns , Criatura!!!

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olga sérvulo 4 de agosto de 2017 - 13:58

Lindo o poema, linda a foto, linda a homenagem!

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Marilda Castanha 4 de agosto de 2017 - 12:16

É lindo demais este poema!!! E linda a foto! E linda a homenagem, Maya! E é também maravilhoso conhecer vocês e poder te desejar, Elisa, amiga querida, um Feliz Aniversario! Parabéns Lisa!!!

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Lisa Santana 4 de agosto de 2017 - 14:38

Êeeebaaaa Marilda, obrigada querida.E eu também tenho o prazer de ter estes irmaos que tenho. Agradeço todos os dias esta sorte. Bjs

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Cláudia Carvalho 2 de novembro de 2016 - 14:49

Que delícia poder reviver estes momentos.

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ana 2 de novembro de 2016 - 11:47

Lisa, chorei ao ler seu texto. Podia sentir e ouvir cada palavra, cada barulhinho.

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Ana 22 de dezembro de 2013 - 10:16

Lisa, tão lindos os seus versos. Tão real. Até parece que estou vendo vcs dois debulhando as favas e ouvindo o barulhinho ali no quintal de sua casa.

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Toninho Reis 13 de dezembro de 2013 - 00:40

Bateu uma saudade do meu Pai !!!!!!!!!!!!!!

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nenez 12 de dezembro de 2013 - 20:48

Que lindo! Que saudade!!!!!

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Déa Januzzi 12 de dezembro de 2013 - 20:06

Ah, Lisa, a sua poesia me lembra Adélia Prado, mas é singularmente sua. Beijos

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