Mirian Goldenberg nega autoria de 'sexalescentes'

Por Maya Santana

"Nunca escrevi tal texto", diz a socióloga

“Nunca escrevi tal texto”, diz a socióloga


Mirian Goldenberg
Circula pela internet um texto assinado por mim com o título “Sexalescentes“. Ele tem sido reproduzido e enviado por e-mail para inúmeras pessoas. Existe até uma versão musical no Youtube. O texto diz que está surgindo uma nova faixa social: a dos “sexalescentes”, pessoas de mais de 60 anos que rejeitam a palavra “sexagenário” porque envelhecer não está nos seus planos.
São homens e mulheres independentes que procuraram e encontraram a atividade que mais gostam e conseguiram se sustentar com ela. Alguns nem sonham com a aposentadoria. E os que já se aposentaram gozam plenamente cada dia, sem medo do ócio ou da solidão.
Nesse universo de pessoas saudáveis, curiosas e ativas, a mulher tem um papel de destaque. Ela aprendeu a respeitar a própria vontade, enquanto as suas mães só puderam obedecer aos homens. E conquistou espaços na sociedade que as suas mães nem sequer sonharam ocupar.
Algumas optaram por viver sozinhas, outras escolheram carreiras que sempre foram masculinas, muitas tiveram filhos, outras não. Mas cada uma fez o que quis –apesar de não ter sido nada fácil– e continua a fazer o que quer.
O texto conclui afirmando que, hoje, as pessoas de mais de 60 anos estreiam uma idade que não tem nome. Antes seriam velhos; agora já não são. Tenho recebido muitas mensagens com elogios a “Sexalescentes”. Só que nunca escrevi tal texto.
É verdade que algumas ideias são semelhantes às que tenho apresentado em meus artigos. Mas, ao contrário do autor (ou autora?) de “Sexalescentes”, gosto da palavra “velho” e acho importante usá-la justamente para combater o estigma que cerca a velhice. Também gosto de usar “ageless”, “sem idade” e “inclassificáveis” para me referir aos que estão inventando uma forma mais feliz de experimentar o envelhecimento. Chamo as mulheres mais velhas de “coroas poderosas”.
É muito estranho ver o meu nome em um texto que não é meu. Mais estranho ainda é receber elogios por algo que nunca escrevi.
Algum leitor sabe de quem é a ideia de “Sexalescentes”? Se sim, peça para ele (ou ela?) sair do armário e assumir a autoria.
Aposto que o texto foi escrito por uma “coroa poderosa“. E você? (Fonte: Folha)


CONTEÚDO PUBLICITÁRIO

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário





8 Comentários

JOSE MACIEL DA SILVA 31 de janeiro de 2020 - 22:39

Está, também, na página de Selvino Malfati como sendo de Tita Teixeira, embora, ao fim do texto, ele informe “autor não identificado”.

Responder
Jose MACIEL DA SILVA 31 de janeiro de 2020 - 22:32

Li na página do Helio Pellegrini que o texto é de Tita Teixeira, autora que ele julga, possivelmente, portuguesa.

Responder
Manuel Costa 18 de abril de 2020 - 11:07

Eu gostei do texto porque, tendo eu 71 anos, não me sinto velho nem idoso. Jogo golfe regularmente, três vezes por semana pratico joguing, natação, viajo pelo mundo com minha esposa e, regularmente tenho 20/30 pessoas em minha casa para desfrutar da vida, de um bom churrasco acompanhado de bons vinhos.
Aos 30/55 anos a minha vida profissional era muito intensa e não me permitia fazer tudo isto.
Se uma pessoa hoje com 40 anos é um jovem porque com 70 se chana idoso ou velho?!…

Responder
Os Sexalescentes do Século XXI [autoria indefinida] – jeferson miola 21 de setembro de 2019 - 10:35

[…] própria Miriam Goldenberg esclareceu, ainda em agosto de 2013 [aqui], que não é a real autora do […]

Responder
FATIMA APARECIDA ALVES DE OLIVEIRA SANTOS 10 de janeiro de 2018 - 11:23

bom dia, gosto de coroa poderosa, é assim que me sinto, mas não sexualmente(adoro sexo) , mas porque hoje sou livre no que quero, penso e faço.

Responder
JOSE CAMILO SOARES DOS SANTOS 9 de janeiro de 2018 - 12:22

Gostaria muito de conhecer o nome da autora (ou do autor) do texto para estender-lhe meus cumprimentos pelo belo texto, não só pela ideia que expressa mas pela linguagem simples e direta que usa. J.C.Santos

Responder
Sandra Fagundes 16 de novembro de 2016 - 12:12

Gostei do texto e do esclarecimento. A única expressão que não achei coerente foi justamente “sexalescente”, pois evoca um desejo de ser o que não se é mais: adolescente e negação do que se é: velha. Bom saber que a expressão não é tua. Gostei de coroa poderosa. Abraços. Sandra Fagundes. RS.

Responder
Catharina Castro 14 de janeiro de 2016 - 03:47

O artigo me foi apresentado por uma amiga como sendo seu. Confesso que me soou estranho a referencia a madureza da vida como sendo sexalescente. De qualquer forma deixei um comentário lá. Vou postá-lo aqui.
“atharina Castro Eu sempre fui precoce, aos 13 anos, já com a altura que tenho hoje 1.67m (mentira, hoje tenho 1.65, encolhi) ganhei o meu primeiro escarpam salto 8, cor preta e com ele fui ao meu primeiro baile -2 anos antes do que seria o normal na época – aos 15 vi chegar o feminismo, a mini saia, a pílula, o cafezinho no bar, antes só para os homens… o cigarro (desgraça, nem tudo foi perfeito) o vinho, o uisque barato, a ressaca no dia seguinte, a descoberta do cha de couve para curar rapidamente… enquanto o meu pai se desesperava com essa nova consciência justo quando a sua menina começava a sua vida social, eu me embriagava de liberdade… a bossa nova, um emprego ainda menor de idade, pai querendo cobrir o salário para eu ficar só estudando e não querendo entender que não só pelo salario e sim por mais liberdade… Muita leitura, conheci Simone de Beauvoir e não parava mais de ler. Aí meu pai percebeu que a minha liberdade nada tinha a ver com libertinagem e me apoiou, me ensinou a dirigir carro”

Responder

Utilizamos cookies essenciais de acordo com a nossa Política de Privacidade e ao continuar navegando, você concorda com estas condições. Aceitar Leia mais