fbpx

Mulheres estão invadindo os canteiros de obras

Por Maya Santana

Bia e alunas do curso de pedreira. Capacete rosa é a marca delas

Pintar as paredes de casa com rolos, pincéis e tintas próprias era a brincadeira favorita das gêmeas Betina e Bruna, então com 6 anos. Junto da mãe, a gaúcha Maria Beatriz Kern, elas davam nova cara para os cômodos da casa onde vivem até hoje, com a avó materna. Bia, como gosta de ser chamada, criava as filhas apenas com a ajuda da mãe. Ela ensinou as filhas a fazer pequenos reparos, como trocar lâmpada e resistência de chuveiro, para que não “dependessem de ninguém para ter o lar em ordem”. As gêmeas não podiam prever que esse gosto da mãe pela construção civil deixaria de ser hobby para virar profissão. Nem que Bia mudaria a vida de mais de 3 mil mulheres no Rio Grande do Sul ensinando o que suas filhas aprenderam quando pequenas.

Por 20 anos, Bia trabalhou como coordenadora de eventos, em projetos para mulheres. Ela gostava do que fazia, era bem remunerada, mas não se sentia realizada. Aos 48 anos, com as filhas crescidas, decidiu arriscar. Vendeu um imóvel que tinha e usou a verba para criar em Porto Alegre uma ONG para ensinar mulheres de baixa renda a fazer pequenos reparos em casa. Bia não imaginava as dimensões que o projeto alcançaria.

“Elas são mais organizadas e reduzem o desperdício de material”

Em 2006, conseguiu parceria com três empresas para fazer um projeto-piloto. As 25 vagas disponíveis foram disputadas por 300 mulheres. Era o começo da ONG Mulheres em Construção. Em quatro anos, a entidade distribuiu 3 mil certificados para pedreira, azulejista e pintora predial, todos gratuitos, após um curso de três meses de duração. Além de vale-refeição e alimentação, cada aluna recebe auxílio de R$ 170 por semana e um capacete rosa.

Para a surpresa de Bia, muitas empresas começaram a procurá-la em busca de mão de obra qualificada. Em média, 60% das formandas recebem registro em carteira. “Minha ideia inicial era preparar as mulheres para cuidar de suas próprias casas”, afirma. “Agora, o foco mudou.” Hoje, Bia cuida da ONG como voluntária e ganha a vida prestando consultoria para empresas que querem montar treinamento em construção civil. Leia mais em www.epoca.com.br

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

4 × 3 =