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Moda: coleção se inspira no empoderamento da mulher negra

Por Maya Santana

Coleção busca referência na cultura hip hop e nos símbolos do povo Akan, da Costa do Marfim (foto: Carolina Aiala/Divulgação)

Mulheres negras estão promovendo uma verdadeira revolução (foto: Carolina Aiala/Divulgação)

Márcia Maria Cruz, portal Uai

A revolução empreendida pelas mulheres negras, que começou com a liberdade para a textura natural dos cabelos crespos, chegou ao vestuário. Evento em Belo Horizonte mostrou a coleção Protagonista, da designer de moda Lorena Santos, de 36 anos. Além da questão estética, a coleção é resultado do empoderamento das meninas que fazem uma discussão política e estética sobre o corpo feminino. “O universo do hip hop e as mulheres do movimento me motivaram demais”, afirma Lorena. O resultado foi visto na passarela com mulheres de diferentes biotipos e histórico de vida.

A estudante com vitiligo participou dos desfiles

A estudante com vitiligo participou dos desfiles

Terceira coleção da marca Lolita az avessas, Protagonista nasce do incômodo de Lorena com os lugares pré-estabelecidos para a mulher negra na sociedade. “As mulheres negras continuam sendo invisibilizadas em todos os sentidos e circunstâncias. Sempre são tratadas na terceira pessoa do plural. Nunca são a primeira pessoa”, diz. Para mudar esse quadro e garantir o protagonismo, as modelos selecionadas foram mulheres reais. Lorena lembra que compõem o casting, mulheres negras, trans e uma delas com vitiligo. Para além da ideia de moda como consumo, as meninas apostam na moda como forma de expressão e afirmação de identidade. “A coleção é um ato político, um protesto e bate de frente com o racismo”, pondera. A marca aposta em modelagem que vai do pequeno ao extra-grande. “O GG é o corpo de boa parte das brasileiras. Fazemos roupas super confortáveis.”

Assumir o cabelo crespo e defender uma estética negra fazem parte do processo de empoderamento, na avaliação de Lorena. “Passa por uma questão de auto-estima quando as mulheres negras se reconhecem como ícones de beleza.” Para a designer, as mulheres negras ocupam cada vez mais lugares de destaque na sociedade brasileira, tornando-se protagonistas. Uma dleas é a estudante de biblioteconomia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Thamyris Rodrigues Muniz, de 19 anos, que participa como uma das modelos no lançamento.

Em alusão ao nome da coleção, Thamyris não tem dúvidas que assumiu as rédeas de sua história. A jovem negra tem vitiligo desde os três anos de idade, mas, em resposta ao preconceito de algumas pessoas, exibe os dois tons de pele com orgulho. “Independentemente de minha pele ter dois tons, me reconheço como protagonista da minha história. O que eu posso fazer, meu caráter e atitude independem disso”, afirma. A experiência com a Lolitas az avessas extrapola a questão da moda. “Os bastidores tinha uma atmosfera acolhedora. É muito legal encontrar outras mulheres que resistem tanto quanto a gente. Juntas somos mais fortes.”

Coleção busca referência na cultura hip hop e nos símbolos do povo Akan, da Costa do Marfim (foto: Carolina Aiala/Divulgação)

Coleção busca referência na cultura hip hop e nos símbolos do povo Akan, da Costa do Marfim (foto: Carolina Aiala/Divulgação)

A coleção conta com vestidos, croppeds, saias-lápis, sendo todas as peças com recorte urbano. “É o encontro da rua com a identidade negra”, pondera Lorena. No seu percurso criativo, a designer buscou referências na cultura hip hop, estabelecendo parcerias com o grafiteiro Wera para a criação de estampas. Outra fonte de inspiração é povo Akan, grupo étnico que vive em Gana, Costa do Marfim e Tongo. Algumas estampas foram elaboradas tendo como ponto de partida os adinkras, que são símbolos que transmitem emoções e sentimentos. A estética de rainhas africanas também serviu de referência para a elaboração das estampas.

As peças da Lolitas az avessas são vendidas na Real Vandal e no Instituto Todo Black é Power, no Shopping Uai.

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