Mulheres são ignoradas na torcida brasileira

Por Maya Santana
Elas são mais de 30% da torcida, mas permanecem invisíveis para a publicidade

Elas são mais de 30% da torcida, mas permanecem invisíveis para a publicidade

Angela Klinke

Ela é das antigas. Aos 65 anos, coloca a camisa grená (aquela com o São  Jorge) e segue a pé para o Pacaembu. A policial feminina na entrada do estádio a  cumprimenta pelo nome, enquanto confere, mais por hábito, se ela está mesmo  inscrita na lista dos não pagantes. Claro que sim. Lá vai, então, com o boné  ajeitado nos cabelos branquinhos para o setor verde, sentar-se na última  fileira, aquela parcialmente coberta, ao lado de outros aposentados. Em mais de  quatro décadas indo a estádios, ela sabe que há bem mais mulheres ocupando as  arquibancadas nos últimos anos. Várias delas vão sozinhas. Outras carregam  crianças.

A Copa das Confederações está aí, uma prévia para a “apoteose” de 2014. Mas  até agora as mulheres não são protagonistas na torcida brasileira, pelo menos  para os anunciantes e patrocinadores. Será que vão ficar relegadas ao papel das  provedoras de petiscos no dia da partida ou ao de coadjuvantes carnudas para as  cervejarias?

Num momento em que se questiona o legado da Copa do Mundo e a viabilidade  econômica dos estádios, é pura miopia ignorar a importância da mulher para o  futebol. Ou será que neste quesito ainda estamos na classificação “nicho de  mercado”? A consultoria Pluri investigou o interesse das moçoilas pelo esporte  no fim do ano passado. Entrevistou-as em seis capitais e descobriu que 62% delas  gostam de futebol. Das 38% que não se interessam, metade estaria disposta a ir  ao estádio como opção de entretenimento. Para isso exigem o básico, como  qualquer cidadão: banheiros decentes, segurança e, de preferência, cobertura.  Chuva, não, “please” (mas imagine uma ação de marketing com antifrizz para os  fios úmidos e arrepiados…).

“A Europa já descobriu há muito tempo a importância das mulheres nos  estádios. O clima muda de guerra para festa, elas inibem a violência”, diz  Fernando Ferreira, sócio da Pluri. “Além disso, elas consomem mais, no estádio e  fora dele, chamam mais a atenção de patrocinadores e, fundamental, favorecem a  formação de novos torcedores com o aumento natural da presença de crianças.”

Veja só, pensar na torcida do futuro, quando o público mingua a cada  campeonato, significa criar filhos e filhas engajados com o esporte além dos  games da Fifa ou das camisas chiques dos times internacionais, como a do  Barcelona. As torcedoras não são espectadoras passivas, acompanhantes de maridos  ou namorados. Há uma geração de garotas buscando espaço nas escolinhas de  futebol do país. Um contingente de moças que compra jogos nos canais fechados.  Ou que encara as adversidades nos estádios. Elas estão sedentas para sentar na  primeira fila. Leia mais em valor.com.br

 


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