Musical sobre a velhice estreia nesta semana

Por Maya Santana
Zuenir Ventura, 83, Luis Fenando Veríssimo, 78, e Ziraldo, 82

Zuenir Ventura, 83, Luis Fenando Veríssimo, 78, e Ziraldo, 82

O tão aguardado Barbaridade, musical sobre a velhice, finalmente vai ter sua estreia nesta quinta-feira, dia 19, no Rio. O espetáculo vem sendo muito aguardado pois sua autoria é de três dos nossos grandes jornalistas e escritores: Luis Fernando Veríssimo,78, Ziraldo, 82, e Zuenir Ventura, 83, – mais novo membro da Academia Brasileira de Letras. O espetáculo é da mesma produtora de “Elis, a Musical” e “Se Eu Fosse Você”.

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No paraíso tem muitas escadas rolantes. Assim, não é preciso ter medo de subir, medo de cair. A escada normal, no fim das contas, é inimiga do velho — junto às temíveis pedras portuguesas, é claro. Se um velho tivesse escrito a Bíblia, constaria entre os mandamentos: com pedras portuguesas, não entrarás no reino dos céus. Só entrarão netos, amigos, corações que não se recusem a bater. Porque envelhecer é bom, e do alto dos 80 anos a vista é bonita. Só que alguém poderia desaparecer com as malditas escadas. Ou mandá-las para o inferno.

Como tal mundo não é possível, Zuenir Ventura, Luis Fernando Verissimo e Ziraldo — com 83, 78 e 82 anos, respectivamente — se esforçam para se divertir por aqui mesmo. Os três amigos dizem que envelheceram sem perder a ternura. E o bom humor os elevou a musos do musical sobre a velhice “BarbarIdade”, escrito por por Rodrigo Nogueira, que estreia nesta quinta-feira, com um orçamento de R$ 10 milhões. José Lavigne assina a direção, mas se desligou do espetáculo há uma semana. O diretor informou que seu afastamento foi por “problemas pessoais”.

— A ideia é mostrar que dá para envelhecer bem. Não mostrar a velhice como um oba-oba, uma coisa maravilhosa, claro, já que a alternativa à velhice é pior — diz Zuenir Ventura, colunista do GLOBO e o mais novo imortal da Academia Brasileira de Letras. — O Niemeyer dizia que a velhice era uma merda, mas levou 105 anos para sair dela.

“EU MANTENHO O MITO!”

O trio de amigos não escreveu o texto, mas inspira as histórias. Um dos personagens, por exemplo, admite na peça que já “brochou” — piada com uma famosa entrevista de Ziraldo a Ruy Castro, na revista “Playboy”, em 1980, na qual dizia nunca ter, digamos, falhado com uma mulher. Veredicto do cartunista: publique-se a lenda.

— Eu mantenho o mito! Vou desmentir? Só Deus sabe do coração humano. Depois que inventaram remédio para isso, parece que prolongou a vida do velho — diz Ziraldo. — Mas se a Pfizer (fabricante do Viagra) tivesse inventado um remédio para a libido, venderia muito mais. Minha experiência mostra que 80% dos meus contemporâneos perderam o tesão. Eu, não. Eu penso em sacanagem até hoje!

O problema de Verissimo é em outra modalidade de apetite — o gastronômico. Fã de pudim de laranja e outras iguarias, o escritor gaúcho, também colunista do GLOBO, está proibido de chegar perto de doces do tipo por conta do diabetes. O autor, que toma 21 pílulas por dia, não reclama: a neta, Lucinda, saracoteando pela casa compensa esse ônus da idade. Clique aqui para ler mais.


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