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A ideia não foi apresentada agora. Mas merece atenção, porque é, no mínimo, curiosa e diz respeito ao destino final de nosso corpo.
Os designers italianos Anna Citelli e Raoul Bretzelo criaram a Capsula Mundi, projeto que surgiu da busca de alternativa aos cemitérios tradicionais, já sem espaço.
Eles idealizaram uma cápsula biodegradável no formato de um ovo, onde os restos mortais é depositado. E a cápsula plantada junto às raízes de uma muda da árvore em que a pessoa quer se transformar.
O objetivo do projeto é transformar os cemitérios em florestas sagradas, onde cada árvore manterá viva a memória do ente querido que partiu.
Leia o artigo completo publicado originalmente no site pardaltech.com.br:
Com o intuito de transformar cemitérios em florestas vivas, os designers italianos Anna Citelli e Raoul Bretzel propõem uma abordagem inovadora para a preservação da memória: o projeto Capsula Mundi. A ideia central é que os restos mortais sejam colocados em cápsulas biodegradáveis, que são plantadas junto a mudas de árvores, escolhidas pelos próprios falecidos em vida. Em vez de lápides, cada árvore representaria a continuidade da vida, em um ambiente natural e ecológico que poderia substituir os cemitérios convencionais.
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Ainda em fase de protótipo, o projeto enfrenta restrições legais, religiosas e ambientais, como o risco de contaminação do solo e de lençóis freáticos pela decomposição dos corpos, que gera carga biológica. Além disso, a manutenção dessas árvores – envolvendo podas, controle de pragas e riscos ambientais – não tem uma solução clara e poderia tornar o projeto inviável.

Segundo os autores, a ideia de um “cemitério-floresta” seria mantida pela família e amigos, mas especialistas alertam que, a longo prazo, a sustentabilidade do projeto dependeria de uma estrutura robusta de controle ambiental.
Outras abordagens vêm sendo exploradas para acomodar o aumento das demandas por espaços para sepultamento, especialmente nas áreas urbanas. Em países como Alemanha e Singapura, há incentivos para que, após um período inicial gratuito de vinte anos, as famílias optem por renovar o aluguel das sepulturas ou autorizar a transferência para espaços mais profundos.
A cremação, por sua vez, embora economize espaço, tem impacto ambiental elevado devido à energia consumida e às emissões de poluentes, como o mercúrio, liberado pela queima de obturações dentárias.
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Enquanto alternativas sustentáveis ganham popularidade, como os cemitérios verticais, o Brasil já se destaca com o Memorial Necrópole Ecumênica, em Santos, considerado o mais alto do mundo, com 14 andares. Em outras partes do mundo, arquiteturas arrojadas buscam conciliar estética e funcionalidade, como em Tóquio e Tel Aviv. Embora o conceito de florestas de memória seja inspirador, as práticas convencionais, como os cemitérios verticais, têm se mostrado mais viáveis para enfrentar os desafios urbanos.
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