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Não esconda mais a idade. Precisamos entender a idade que temos

Por Maya Santana

Luiza Brunet, 58: “Aparecer com o rosto machucado e falar sobre o assunto me ajudou a superar, mas também a rejuvenescer”

Sempre achei uma tolice esconder a idade. Quando me perguntam, respondo sem sofrer: Vou fazer 70 anos. O tempo passou. Curti todas as fases da vida, umas mais, outras menos. E essa atual, a derradeira, com certeza, é só mais uma, com seus encantos e desencantos. O envelhecimento chega para todos nós, menos para os que se vão mais cedo. Assim, quem envelhece, na verdade, está recebendo um bônus da vida. E não deveria nunca, em nome da vaidade ou de qualquer outro sentimento,ter vergonha de estar envelhecendo. Concordo inteiramente com o apresentador Zeca Camargo, quando ele diz: “É importante entender a idade que temos”, em vez de esconder o número que indica há quanto tempo estamos neste mundo.

Leia o artigo do blog Ageless, publicado pelo Uol:

Até 2060 é provável que o número de idosos brasileiros supere o de jovens, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A mudança de faixa etária majoritária na população vem acompanhada de grandes transformações no comportamento dos mais maduros. Para a turma entre 45 e 65 anos, a idade biológica já não impõe limites ao estilo de vida. Envelhecer se mantendo atual tem sido o mantra de muitos homens e mulheres.

Aos 48 anos, a jornalista Mariliz Pereira Jorge tem, entre seus quase 45 mil seguidores no Instagram, um público formado principalmente por pessoas entre 25 e 44 anos. E 60% deles são homens. Ela considera que um dos fatores que a mantém atualizada é justamente se comunicar com todas as idades. “Mesmo meu ativismo precisa romper barreiras, se quero provocar mudanças fora da minha bolha”, disse a jornalista, que vê como algo positivo essa troca entre gerações.

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Foi aliás o ativismo que trouxe para a atriz, modelo e empresária Luiza Brunet, 58, uma sensação de ressignificado quando, em 2016, foi vítima de violência doméstica. Em consequência do episódio, Luiza se tornou uma das vozes mais eloquentes em defesa dos direitos das mulheres. “Até então, mesmo sendo modelo, sempre fui discreta e busquei preservar minha vida pessoal”, contou. “Aparecer com o rosto machucado e falar sobre o assunto me ajudou a superar, mas também a rejuvenescer”.

Joviais, mas em paz com a idade Para o apresentador Zeca Camargo, 57, estar atualizado não significa querer parecer mais jovem do que se é. “É importante entender a idade que temos. Adoro coisas de todas as idades, mas não quero fingir que tenho 20 anos”, explicou. “Penso ainda que as pessoas mais velhas hoje são mais apaixonadas pela vida e estão longe de querer parar”.

Atriz e educadora, Edvana Carvalho, 51, ilustra perfeitamente essa geração, para quem parece nunca ser tarde para experimentar coisas novas. Quando completou cinco décadas de vida, já avó, produziu seu primeiro trabalho solo, o espetáculo teatral “Aos 50, Quem Me aguenta?”. No roteiro do monólogo escrito por ela mesma, há inspirações nos vários episódios que vivenciou com a chegada da maturidade. “Vivemos em uma sociedade etarista, que a todo momento diz que estamos velhas”, ponderou. “Mas estou muito bem, muito viva e cheia de histórias para contar”.

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Como Zeca, ela não tem pretensão de aparentar menos idade. “Ainda chamo os moços bonitos de ‘pão'”, contou. “Meu monólogo aborda as várias interseccionalidades que oprimem mulheres pretas como eu. Mas é também sobre meu tempo, onde assumo minhas rugas e vivências”.

A jovialidade, porém, nem sempre é vista com bons olhos. “As pessoas quando vêm me xingar me chamam de velha, como se esse fosse um xingamento”, falou Mariliz, sobre os chamados “haters”, que as vezes não concordam com suas colunas. “Ainda é preciso entender que são fases da vida e cada uma delas tem sua beleza”.

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