Neste país é preciso que você tenha um homem

Por Maya Santana
É incrível como, em pleno século 21, existam países tão atrasados como Arábia Saudita

Em pleno século 21, ainda há países na idade média, como Arábia Saudita

Já postei aqui artigos sobre a Arábia Saudita, o poderoso reino dos machos, onde as mulheres são tratadas como escrava do homem. Sou impressionada com essa cultura que se sustenta na submissão feminina, por isso estou postando esse ótimo artigo de Angeles Espinosa, publicado pelo El País.

Leia:

“Neste país você necessita de um homem”, resume Vega Gutiérrez, uma das engenheiras espanholas que trabalham na construção do metrô de Riad. “Este país” é a Arábia Saudita, onde as mulheres são proibidas de dirigir e não podem estudar, viajar ou submeter-se a uma intervenção médica sem a permissão do homem que detenha sua tutela, e ainda devem ocultar seus corpos sob túnicas negras chamadas abayas. Mas nem essas restrições, nem a má imagem do Reino do Deserto desanimaram essas pioneiras frente a um desafio profissional tão importante para elas quanto para seus anfitriões.

Gutiérrez se refere aos problemas de mobilidade, como não poder pegar um carro para visitar outros pontos da obra, fazer a compra semanal ou chegar a um restaurante. Essa engenheira de estradas de Salamanca é a responsável pela linha 5 e representante de uma das três construtoras do consórcio internacional liderado pela espanhola FCC. Com a experiência de 15 meses em Riad, ela admite que tem sorte por seu marido trabalhar no mesmo projeto. Isso lhe dá maior independência fora do ambiente de trabalho.

Um reino onde os homens têm todos os direitos

Um reino onde os homens têm todos os direitos

“O motorista se tornou minha sombra”, comenta, por sua vez, Berta Tapia, chefa do departamento de Topografia da mesma linha, cujos marido e filhos ficaram em Barcelona. “Mas o problema não é só de mobilidade; se você não tem marido, não pode se relacionar socialmente com outros homens e colegas de trabalho”, acrescenta.

As dificuldades são às vezes sutis e, para mulheres acostumadas a liderar equipes, tornam-se difíceis de suportar. Contam que os colegas sauditas resistem a se dirigirem a elas e, quando o fazem, não as olham diretamente. “Não têm o costume porque eles [mulheres e homens] não se falam entre si, mas pouco a pouco estão se habituando. E você também aprende a não dar a mão se eles não oferecerem as deles primeiro”, observa Almudena Álvarez, engenheira de estradas que dirige o departamento de projetos. “Em sua mentalidade, nós não existimos. Eles ainda estão aprendendo.”

Isso tudo supera o anedótico. Também afeta a organização do trabalho. “Não há a liberdade que temos em outros países de convocar uma reunião, mas isso se pode resolver, fazendo o pedido por meio de um colega, por exemplo”, reconhece Gutiérrez. “É preciso adotar uma atitude diferente. Isso seria o fim do mundo em Madri, mas aqui tenho consciência do lugar em que estou.”

Elas não foram pegas de surpresa. Sabiam que vinham ao país mais conservador e misógino do Oriente Médio. Já previam que as condições seriam difíceis, mas a oportunidade profissional falou mais alto. “É um projeto muito ambicioso, e na Espanha atualmente não há muitas obras de engenharia civil”, concordam. Clique aqui para ler mais.


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