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Aos 71 anos, Ney Matogrosso continua inteiraço

Por Maya Santana

Ele foi comparado à Josephine Baker pela imprensa francesa

Ele foi comparado à Josephine Baker pela imprensa francesa

Não há o que Ney de Souza Pereira — o homem — não tenha dito sobre Ney  Matogrosso — a obra. Nas duas milhões de páginas que citam o artista, na  internet, habitam um sem-número de entrevistas em que ele relembra ter: namorado  Cazuza (“Foram três meses de relacionamento com labaredas de dois metros de  altura”); cheirado cocaína (“Odiava. Nunca entendi, achava aquilo uma mentira”); namorado mulheres (“É muito mais difícil as pessoas aceitarem que eu transo com  mulheres do que com homens”); ido para a cama com 15 pessoas (“Ninguém trepa!  Você deita em cima daquele topo, aí vai caindo lá pra baixo”); perdido amigos  para a Aids (“Fiquei sem referência, parecia que tinham quebrado todos os  espelhos à minha volta”); ter permanecido imune à doença (“Não me peça  explicação porque eu não sei dar. Eu tenho certeza que tive contato com o  vírus”).

Exalando sensualidade, nos tempos dos Secos e Molhados

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Na música, Ney Matogrosso também teve carreira tão intensa quanto na vida.  Nos anos 70, integrou o Secos & Molhados, grupo performático que, junto com  os Mutantes, salpicou rock e transgressão na MPB. Em carreira solo, tocou ao  lado do violonista Raphael Rabello, do clarinetista Paulo Moura, do pianista  Arthur Moreira Lima. Gravou canções com Caetano Veloso, Chico Buarque e Pedro  Luís. Com sua voz aguda e feminina de contratenor, cantou Cartola, Tom Jobim,  Villa-Lobos. Aos 71 anos de idade, 40 de carreira, 38 discos gravados,  prepara-se para mais uma etapa. “Atento aos sinais”, turnê iniciada em março, em  São Paulo, desembarca no Rio a partir de sexta-feira, com três shows no Vivo  Rio. Em cena, além de interpretar Itamar Assunção, Criolo e Vitor Ramil, o  cantor usa mais de uma dezena de figurinos.

Ney Matogrosso já foi comparado a Josephine Baker pela imprensa francesa,  descrito como uma mistura de Carmen Miranda, David Bowie e Jack Nicholson pela  americana. Já subiu no palco usando penas de pavão, unhas de tigre, chifres de  carneiro, cocares, paetês, pérolas e, claro, pele (a própria, praticamente nua).  Rita Lee assim descreveu a primeira vez que o viu em ação, ainda na época do  Secos & Molhados: “Um ET elegante vestindo um kabuki mucho louco  com uma voz assexuada, cantando uma ciranda portuguesa.” Sobre um palco, como  bem definiu o nome de sua turnê em 2008, sempre foi inclassificável.

Mas e fora dele? O que Ney Matogrosso — a obra — tem a dizer sobre Ney de  Souza Pereira — o homem? Quanto do artista que atravessou o desregramento sexual  da década de 70, a oferta infinita de drogas dos anos 80 e a perda dos amigos  nos anos 90 sobrevive no senhor solteiro, sereno, que mora com dois gatos, numa  cobertura de três andares no Leblon?

— Se não houvesse o Ney Matogrosso, talvez eu me ressentisse de não atuar  artisticamente. Eu não estaria completo — responde ele, durante uma das três  conversas com a Revista O GLOBO, na última semana. — No começo, eu era muito  agressivo no palco. Se não fosse, seriam comigo. Hoje subo nele de uma maneira  amorosa. Leia mais em  O Globo

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3 Comentários

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lisa santana 30 de abril de 2013 - 16:16

Que maravilha de cantor! Que delícia de homem! Que lindo! Que lindo!

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Toninho Reis 30 de abril de 2013 - 00:26

Tive o prazer de conhece-lo em Nova York em um show dele, foi otimo como sempre, ele e fantastico, boas lembrancas bjs…………………………….

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nenez 29 de abril de 2013 - 22:36

adoro!!!!!! Vou ao Show dia 10……….

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