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Ney Matogrosso: 'Já passei dos 70. Não estou nem aí'

Por Maya Santana

O cantor acaba de lançar  um álbum, "Atento aos Sinais"

O cantor, que fez 72 anos em agosto, acaba de lançar “Atento aos Sinais”


No ano em que completou quatro décadas de uma carreira transgressora, imprevisível e bem-sucedida, iniciada com o sucesso do Secos & Molhados, Ney Matogrosso, 72, não quis olhar para trás. Rechaçou, como vem fazendo há anos, qualquer homenagem a seu ex-grupo e lançou-se à estrada com um repertório dominado por compositores novos, no show “Atento aos Sinais”, que virou CD gravado em estúdio.
O cantor disse ser favorável aos protestos populares, apesar de não ter se juntado a nenhum deles. Condenou a violência dos black blocs (“Talvez, se fosse só contra os bancos… mas a gente viu que não é”) e mostrou que continua profundamente desanimado com a classe política, a ponto de dizer que deve anular seu voto nas próximas eleições para presidente e governador. Filho de militar, criado sob regras rígidas, disse ser “transgressor desde que me entendo por gente” e falou sobre os 40 anos de carreira e a relação quase sexual que ainda mantém com a plateia de seus shows.
Ney sempre foi maravilhosamente ousado

Ney sempre foi maravilhosamente ousado


Em “Atento aos Sinais” você inverteu, mais uma vez, a lógica tradicional, lançando o CD após a turnê. É melhor assim?
Quando você entra no estúdio para gravar sem fazer isso, está tudo muito verde, rapidamente o disco fica ultrapassado, porque a gente começa a fazer e vai entendendo. Mesmo nesse, que eu gravei depois de um tempo, já não estou cantando as músicas como no disco. Quando fui para o estúdio, onde usamos muita eletrônica, eu trouxe aquilo para o show.
Como foi a seleção do repertório? Há muitas regravações, você não liga para exclusividade?
Eu achava que o foco devia estar nos novos. Todas aquelas músicas já foram cantadas por seus respectivos compositores, muitos deles trabalhos independentes que ninguém conhece. Não encomendo as canções, a exclusividade do repertório nunca foi um dilema para mim, cada pessoa oferece seu ponto de vista.

Você escolhe as músicas pelo que quer dizer? O que queria dizer com as de “Atento aos Sinais”?
As letras são o que me fazem definir o repertório. Este começou a ser montado em 2009 e eu comecei a mostrar em fevereiro deste ano, portanto não tinha nenhum acontecimento previsível no horizonte, e elas realmente abordam essa temática urbana, de violência, de desrespeito. Eu sempre trato disso, gosto de ter um panorama, fazer alguma referência ao nosso país, que está precisando de muita coisa, né? “Não Consigo” [da banda Tono] é a única que eu considero romântica. “Isso Não Vai Ficar Assim” [de Itamar Assumpção] é brejeira, a do Vitor Ramil é cabeça [“A Ilusão da Casa”]. “Tupi Fusão” [Vitor Pirralho] foi a primeira que eu escolhi, em 2009. Me chamou a atenção por ser um rap que não fala de mano, mas dos índios na chegada dos portugueses, achei engraçado. A do Criolo [“Freguês da Meia-Noite”] é mais cinematográfica.
A propósito, você pretendia ter a participação do Criolo no disco, não?
Acabou não rolando, porque o que aconteceu quando eu cantei com ele [em um show do rapper paulistano] foi tão espontâneo que, no estúdio, não seria a mesma coisa. No final da canção, ele ficou me xingando de “vagabundo, ordinário, sujo”, e eu fui gostando cada vez mais. Clique aqui para ler mais.

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