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Nº de centenários triplica no Brasil em uma década

Por Maya Santana

A centenária Suelly Kretzmann

A centenária Suelly Kretzmann pinta desde que se aposentou

Embora muita gente não note, o Brasil vai envelhecendo rapidamente. O número de pessoas idosas – aquelas com mais de 60 anos – cresce a olhos vistos e também o de muito idosos – com mais de 80. Pesquisa do IBGE mostra que também o número de centenários vai se multiplicando. Na última década, eles triplicaram. O grande drama é que a assistência à saúde não acompanha esse crescimento, como mostra esta reportagem de Flávia Milhorance para O Globo.

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Suelly Kretzmann tem mãos firmes e, com elas, pintou algumas dezenas de quadros. Parte está nas paredes de seu apartamento em Copacabana; outra foi vendida. Prefere pintar pessoas, pois “a desafiam”. Algumas delas surgiram da imaginação, como três mulheres inspiradas em Lasar Segall. Outras são reais, do tempo em que se sentava na colônia de pescadores do Posto 6 e deixava o cenário se definir. Suelly tem 100 anos e só começou a pintar depois da aposentadoria.

— Quando me aposentei, achei que morreria de tédio. Foi quando descobri que podia pintar — conta.

Os centenários brasileiros têm pouca expressão nas estatísticas, inclusive por conta da dificuldade de registros da época. Mas o grupo triplicou em apenas uma década e mostra que é possível ultrapassar barreiras com bem-estar. Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, eram 32.134 em 2013, contra 9.140 em 2002 — 7.325, em 1992; e 3.906, em 1982.

PLANOS DE SAÚDE ESTÃO ATENTOS

Os que chegam melhor ao centenário, segundo pesquisadores, são os de classes mais altas, com maior acesso aos serviços de educação e saúde. Em cinco anos, o número de idosos que passaram dos 100 anos e contam com planos de saúde teve pouca variação, segundo uma pesquisa da União Nacional de Autogestão em Saúde (Unidas). Em 2013, eram 926 centenários dentro de um universo de 3,6 milhões de beneficiários. Em 2008: 982, para 3,7 milhões. O Rio tem a maior concentração: 250 indivíduos.

As operadoras estão atentas, já que o custo assistencial daqueles com mais de 59 anos é seis vezes maior do que os da primeira faixa etária (0 a 18 anos).

— Embora os idosos sejam 11,3% da população, nas operadoras já são 22,8%, taxa prevista só para 2050. Ou seja, o futuro já chegou para os planos privados — comenta Denise Eloi, presidente da Unidas.

Mesmo assim, Denise cobra uma mudança de visão sobre os cuidados assistenciais para eles, já que o modelo brasileiro recai sobre o atendimento emergencial, mesmo no setor privado.

— Se o modelo não for repensado, vamos entrar em colapso — alerta. O novo modelo ao qual ela se refere já é uma discussão aprofundada em países mais desenvolvidos, como os da Europa e os Estados Unidos, onde estão mais presentes os centros de repouso com atendimento multidisciplinar, os “centros dia”(em que o idoso passa parte da jornada), unidades de cuidados paliativos etc. Clique aqui para ler mais.

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