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Norma Bengell: somente agora sai a autobiografia

Por Maya Santana

A atriz, belíssima, no início da carreira, antes de se exilar em Paris

A atriz, morta em 2013, no início da carreira, antes de se exilar em Paris

Um excelente apanhado da autobiografia de Norma Bengell, lançada agora, quase um ano e meio depois da morte da tão falada atriz e diretora. Neste artigo para a Brasileiros, Walterson Sardenberg conta que Norma Bengell, personagem de casos antológicos, no Brasil e no exterior, “teve um fim tristíssimo. Morreu aos 78 anos, em 2013, de um câncer de pulmão. Havia seis anos não andava.” Na época, estava inconformada com a ausência dos amigos – “Todos sumiram” é a última frase da autobiografia.

Leia o artigo:

Há histórias hilariantes na autobiografia de Norma Bengell, lançada pela editora nVersos – que tem por título só o nome da atriz. Uma delas se passa no Hotel De La Ville, em Roma, nos tempos de Dolce Vita do cinema italiano. Norma viu o traseiro de um homem gordo que, agachado, amarrava os sapatos. Não resistiu.

“Dei um tapinha e disse, em bom português: ‘Que bundão!’.” O proprietário dos glúteos era Orson Welles. Desarmado, o cineasta desandou a rir.

Corta para a cerimônia de entrega do Prêmio Governador do Estado, em São Paulo. Norma recebia o galardão das mãos de outro rotundo cidadão – o então governador Adhemar de Barros –, em virtude de sua atuação no histórico Os Cafajestes, de Ruy Guerra, filme em que protagonizara, em 1962, a primeira cena de nu frontal no cinema brasileiro. Estava acompanhada pelo ator italiano Gabriele Tinti, o único homem com que se casou de papel passado.

Adhemar mediu o consorte de cima a baixo e invejou-lhe a sorte, comentando em linguagem de estadista: “Ah, então é você o italiano que está nas bocas, hein? Felizardo! E você é a dona boa que ficou nua no filme?”.

Embora constrangida, Norma agradeceu o prêmio, mas devolveu o cheque à primeira-dama de São Paulo, Leonor de Barros, para ser destinado às obras de caridade. Dona Leonor, que passaria à história como carola e discreta, viu naquele altruísmo uma afronta: “Sua danada, está achando pouco?”.

A personagem desses casos antológicos teve um fim tristíssimo. Morreu aos 78 anos, em 2013, de um câncer de pulmão. Havia seis anos não andava, consequência de dois tombos caseiros e sequelas na coluna. Entrevada em uma cadeira de rodas, fumando dois maços diários de Marlboro dourado, amargava a morte recente de sua companheira por décadas, Sandra, e, ainda, uma crise financeira que lhe obrigava, mês a mês, a vender os móveis da residência.

Estava inconformada com a ausência dos amigos – “Todos sumiram” é a última frase da autobiografia – e, tanto ou mais, com as renitentes acusações de ter se locupletado com o dinheiro do erário, angariado para produzir o filme O Guarani, que dirigira em 1996. Em virtude desse imbróglio, havia sido indiciada pelo Ministério Público por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e apropriação indébita. Clique aqui para ler mais.

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