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Nossa maior conhecedora da lingua portuguesa faz 100 anos

Por Maya Santana

Cleonice Berardinelli está entre as maiores conhecedoras de Camões  e Fernando Pessoa

Cleonice Berardinelli está entre as maiores conhecedoras de Camões e Fernando Pessoa

Eu definiria Cleonice Berardinelli como uma dessas criaturas que vieram ao mundo para nos trazer luz, poesia, delicadeza, beleza. Ela é uma das maiores conhecedoras da lingua portuguesa, especialista em Gil Vicente, Camões e Fernando Pessoa. Aos 100 anos, completados em 28 de agosto, mantém a voz firme e melodiosa. Ouví-la recitando Fernando Pessoa enche a alma da gente de prazer. Foi o amor por Pessoa que aproximou-a da cantora Maria Bethânia, com quem participou do Festival Literário de Paraty, em 2013, forjando uma parceria medalha de ouro entre esses dois patrimônios do Brasil.

Leia o artigo de Frederico Duarte, da CBN

Cleonice Seroa da Mota Berardinelli, a Dona Cléo, chega aos 100 anos orgulhosa de uma vida servindo às palavras que unem Brasil e Portugal. Aluna, professora, acadêmica imortal. O trabalho de Cleonice fez dela uma referência mundial nos estudos de língua portuguesa, e rendeu, mesmo que a contragosto, o apelido de “divina”.

Ocupante da cadeira número oito da Academia Brasileira de Letras, Dona Cléo tem entre seus pares nada menos do que seis ex-alunos. Entre eles, o jornalista e escritor Zuenir Ventura. “Ela foi tão importante na minha formação que eu não me considero um ex-aluno. Eu continuo sendo um aluno da divina Cléo. Aquela professora com voz cristalina, bonita, que mostrou para mim que a inteligência podia ser uma coisa agradável, e a erudição uma coisa realmente bonita”, diz Zuenir.

Com a cantora Maria Bethânia, outra aluna consagrada, Dona Cléo mantém uma profunda sintonia. O entusiasmo e encantamento das duas pelo poeta Fernando Pessoa foi registrado, há dois anos, e resultou no filme “O vento lá fora”.

Clique aqui para ver o filme completo

Em plena atividade, mesmo com as limitações que a idade impõe, Cleonice não para de produzir. Sua presença não é rara no chá que é servido toda quinta-feira aos imortais. Outra obra fruto de todo esse vigor foi lançada na Festa Literária de Paraty, em 2013: “Cinco séculos de sonetos portugueses – de Camões a Fernando Pessoa”. Em entrevista à CBN na época, ela falou da importância de se resgatar essa modalidade literária: “Porque é uma forma fixa, e é uma forma que vai evoluindo de momento em momento, vai se desenvolvendo ao momento em que quase desaparece e depois o momento novamente em que nós estamos em que se usa o soneto ainda, só que com parcimônia”.

De todas as suas missões, ensinar foi sempre o que mais deu prazer à dona Cléo. Professora emérita da UFRJ e da PUC, ela sempre teve a sala como palco. É o que explica a imortal Rosiska Darcy de Oliveira, colega de Cleonice no Departamento de Letras da PUC. “Cleonice recebeu muitas honrarias ao longo da vida, ganhou honoris causa de várias universidades, mas, nisso tudo, eu creio que para ela, o que realmente contava era o magistério. Quer dizer, ela é, antes de mais nada, a professora Cleonice”, afirmou Rosiska.

A eleição de dona Cléo para a Academia Brasileira de Letras, em 2009, foi uma forma de agradecimento encontrada por seus alunos imortais. Entre eles, o professor e pesquisador Domício Proença Filho, atual presidente da ABL, e o poeta, ensaísta e discípulo fiel Antônio Carlos Sechin. “A Academia precisava de Cleonice. Foi um deslumbramento a atuação e a presença dela aqui, o interesse. E sempre essa preocupação com a literatura portuguesa, com a literatura brasileira”, definiu Domício.

Veja as duas novamente aqui:

E em dias de festa para a língua portuguesa, a escritora e amiga Nélida Piñon também celebra: “são 100 anos augustos, benditos. E teve uma vida muito bonita. Ela serviu ao rei que ela queria: a língua portuguesa”.

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1 Comentários

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Márcio 4 de setembro de 2016 - 23:11

Bárbara, D. Cléo!

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