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Novo Ano Novo

Por Maya Santana

O ano novo espia na esquina como um garoto arteiro, cheio de novidades malucas para nos surpreender

Lya Luft

Primeiro, eu entendia que ano novo era mano novo, e ficava feliz com mais um bebê em casa, eu desde sempre louca por crianças e bebês. Até hoje, seguidamente, sonho que tenho um ou vários no colo. Depois, fui entendendo que não era mano, e sim ano, e também compreendi, vagamente, essa questão dos números com que demarcamos nossa vida – em geral, para nos atormentarmos um pouco mais.

O ano novo espia na esquina como um garoto arteiro, cheio de novidades malucas para nos surpreender.

O ano novo espreita nos espelhos como uma velha bruxa de longas unhas roxas para nos arranhar enquanto dá suas risadinhas sinistras.

O ano novo espera na porta da frente para a gente abrir, abraçar, aceitar e achar que vai ser feliz todos os trezentos e tantos dias – e algumas vezes, em muitos dias, e semanas, ou meses, a gente é feliz mesmo.

O ano novo é uma estrelinha que nos contempla lá do céu, como diziam, em tempos tão antigos: meu irmãozinho morto antes de eu nascer tinha virado estrelinha e cuidava de mim. (Me inquietava um pouco que também visse meus pecadinhos, que eram palavras feias, mentiras e botar a língua para os adultos pelas costas deles.)

O ano novo é uma esquisitice, mas vale porque, apesar de tudo, a gente celebra. Quase uma continuação do Natal, só que geralmente com mais festa, e dança, e espumante, promessas para os seres amados, e promessas para nós mesmos – mais cobrança do que promessa, aquela lista velha e chata como o mundo: fazer exercício, não beber, não comer, não ir demais às baladas, não fumar, não se matar com nenhuma droga, aliás, ser melhor filho, irmão, pai, mãe, colega, amigo, chefe, qualquer coisa dessas em que tantas vezes agimos como feitores de escravos ou carrascos.

E assim, dia a dia, o novo ano nos espera, e nós esperamos por ele.

Que Deus ou os deuses nos deem um aninho manso, colorido, bondosinho, gentil, não só para nós pobres humanos sempre tentando escapar dos males, mas para este mundo tão bagunçado, violento, chato, porque já nem as notícias de mortandades, desgraças, tufões, inundações, corrupções e bondades com os corruptos, e crueldades com os miseráveis pobres engaiolados como animais (não!, os direitos dos animais não permitiriam!), nos impressionam muito. Estamos calejados.

Enfim, que seja um aninho bem suportável para a maioria. Para alguns – os escolhidos -, que seja glorioso: a maioria do pessoal merece. Sobretudo os amados da minha família, os amigos, os leitores, e os homens justos que ainda sobrevivem nesta terra.

Um bom ano a todos nós.

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