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O envelhecimento da população começa a transformar também a maneira como pensamos a casa. Durante décadas, envelhecer esteve associado à redução dos espaços, à dependência e, muitas vezes, à mudança para uma instituição especializada. Agora, surge uma proposta diferente: criar moradias pensadas para acompanhar as pessoas ao longo do envelhecimento, sem tirar delas autonomia, privacidade ou vida social.
É nesse contexto que a Tecnisa, em parceria com a Naara Longevity Residences e a Think Construtora, desenvolve o Naara Higienópolis, um empreendimento de alto padrão em São Paulo voltado à longevidade e ao chamado Aging in Place — conceito que significa envelhecer no próprio lugar, com a casa adaptada às necessidades que podem surgir ao longo da vida.
A proposta rompe com a imagem tradicional de uma “casa de repouso vertical”. O morador continua vivendo em seu apartamento, recebendo amigos, saindo para restaurantes, participando de atividades e mantendo sua rotina. A diferença está na existência, dentro do próprio edifício, de uma rede de serviços que pode facilitar a vida e oferecer segurança quando necessário.
Moradia, hotelaria, lazer e cuidados de saúde
O projeto prevê 26 andares e unidades de 94 a 145 metros quadrados, com dois dormitórios e suíte. A arquitetura incorpora recursos pensados para diferentes fases do envelhecimento, como corredores mais largos, corrimãos, pisos adequados e banheiros adaptados.
Mas talvez o aspecto mais inovador esteja na integração entre moradia, hotelaria, lazer e cuidados de saúde. O edifício deverá contar com ambulatório e atendimento de emergência 24 horas, além de dispositivos que permitem acionar ajuda rapidamente. Também estão previstos serviços de nutrição e fisioterapia. Atividades como hidroginástica, yoga, zumba e outros programas de bem-estar poderão ser contratados de acordo com a necessidade do morador.
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A ideia não é tratar o envelhecimento como doença. Pelo contrário. O projeto parte do princípio de que uma pessoa de 60, 70 ou 80 anos pode continuar ativa, independente, viajando, trabalhando, praticando exercícios e cultivando relações sociais.
Estimular a convivência entre gerações
Por isso, as áreas comuns têm papel importante. Piscina, academia, pilates, sauna, jacuzzi, sala de massagem e cinema fazem parte da proposta, assim como uma programação de convivência com palestras, degustações, debates e passeios culturais. Serviços de limpeza, lavanderia e concierge aproximam o empreendimento da experiência de um hotel.
Outro ponto interessante é a tentativa de estimular a convivência entre gerações. O projeto prevê estúdios para locação de longa permanência nos primeiros andares, destinados a um público mais jovem. A intenção é evitar que o prédio se transforme em um espaço exclusivamente ocupado por pessoas mais velhas.
Isso é particularmente importante porque um dos grandes desafios da longevidade não é apenas viver mais, mas viver mais e melhor. Ter segurança dentro de casa é importante, mas também são essenciais os vínculos sociais, a atividade física, a alimentação adequada, o acesso à cultura e a possibilidade de continuar fazendo escolhas.
Questão importante: o preço
O empreendimento está localizado em Higienópolis, bairro que oferece ampla infraestrutura de comércio, restaurantes, cultura, lazer e serviços de saúde. A localização reforça justamente a ideia de que envelhecer não significa se afastar da cidade. Há, evidentemente, uma questão importante: o preço. Trata-se de um empreendimento de alto padrão, com valores estimados na faixa de milhões de reais e condomínio mensal também elevado.
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Por isso, o Naara Higienópolis não representa, neste momento, uma solução acessível para a maioria dos brasileiros. Mas seu significado vai além do mercado de luxo. Ele sinaliza uma mudança de mentalidade..
O mercado imobiliário começa a perceber que a população 60+ não é homogênea. Há pessoas idosas independentes e extremamente ativas, outras que precisam de algum apoio e outras que necessitam de cuidados permanentes. Projetar uma única solução para todas elas já não faz sentido.
Diferentes etapas da vida
A grande novidade é justamente pensar a moradia como algo que pode acompanhar o indivíduo em diferentes etapas da vida. Em vez de esperar que a pessoa fique dependente para então procurar uma instituição, o conceito de Aging in Place procura antecipar necessidades. O apartamento é planejado para reduzir riscos, facilitar a mobilidade e oferecer acesso rápido a serviços quando eles forem necessários.
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É uma mudança importante na maneira de enxergar a velhice. Não se trata de construir prédios para “idosos”, mas de criar ambientes onde as pessoas possam envelhecer sem que o envelhecimento determine o que elas podem ou não fazer.





