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Novo público assiste ‘Babilônia’ como gesto político

Por Maya Santana

Nos próximos capítulos, Fernanda e Natália vão oficializar o casamento

Nos próximos capítulos, Fernanda e Natália vão oficializar o casamento

Poucas novelas da TV Globo provocaram reações tão radicais. Babilônia é a primeira novela brasileira a ousar mostrar, em horário nobre, uma trama envolvendo duas mulheres mais velhas – Fernanda Montenegro e Natália Timberg, ambas com 85 anos – vivendo um par romântico, Teresa e Estela. Moram juntas, expõem seu amor, e nos próximos capítulos vão oficializar a união. A novela divide o país. De um lado, os que não querem ver “essa pouca vergonha”. Do outro, os que elogiam a obra de Gilberto Braga. Boicotada pelos conservadores, a novela das 21h está com baixa audiência. “O Brasil está mais conservador, moralista, na pior acepção da palavra”, afirma professora de história.

Leia o artigo do portal Uai:

Quem não assiste novela passou a assisti-la. E há noveleiras que não perdem um novo folhetim que estão desligando a TV na hora em que Mart’nália começa a cantar ‘Pra que chorar’ (Vinicius de Morais e Baden Powell). Diretor do badalado ‘Hoje eu quero voltar sozinho’ (2014), sobre um garoto cego que descobre a sexualidade ao apaixonar-se por um colega, Daniel Ribeiro afirma que “assistir à ‘Babilônia’ tornou-se um ato político”.

Longe de ser um telespectador assíduo de folhetins, o cineasta comenta que foi a partir do beijo lésbico que passou a se interessar pela trama. “O boicote é um mecanismo da sociedade em defender seus interesses. Mas não acredito em boicote como negação do direito dos outros. E no caso da novela, estão boicotando o amor. Isso revela o momento crítico que estamos vivendo”, afirma ele, acrescentando que religiões, quaisquer que sejam, “pregam o amor”.

Cena que muita gente não quer ver:

Daniel Ribeiro ainda elogia ‘Babilônia’ enquanto produto de massa. “Ela tem planos-sequência interessantes, até ousados, para uma novela. Mas o que mais me chamou a atenção é a quantidade de atores incríveis. Toda cena é muito boa, já que os intérpretes seguram bem as cenas.”

Professora de história e comunicação social na UFMG, Regina Helena Alves da Silva afirma que mais recentemente vem assistido aos folhetins antigos de Gilberto Braga. Graças a reprises do canal pago Viva, acompanhou, há pouco, ‘Dancin’ days’ (1978) e ‘Água viva’ (1980). E, na medida do possível, tem assistido à ‘Babilônia’.

“Como estou com essa mania de ver novelas antigas, ando vendo como ‘encaretamos’ em termos de costumes. O Brasil está mais conservador, moralista, na pior acepção da palavra. O fato de estar na novela (o casal lésbico de terceira idade) é porque ele existe na sociedade. A polêmica explicita a imensa hipocrisia que as pessoas têm. Também explicita o fato de elas se acharem capazes de impor regras autoritárias.” Para além da polêmica, Regina Helena acredita que, a exemplo de novelas anteriores, Gilberto Braga consegue expor bem as mazelas brasileiras: “Ele mostra com maestria a disputa entre casa-grande e senzala”. Clique aqui para ler mais.

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3 Comentários

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Ademar Amancio 30 de março de 2015 - 11:36

Eu sempre gosto de enfatizar que a Doutrina espírita além de ser uma religião cristã não condena a homossexualidade,e sim tenta entender porque o ser humano precisa passar por tal experiência.

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Ana 30 de março de 2015 - 09:03

Realmente ver esta novela tornou-se um ato político. Estou surpresa com as reações contra. Achei que o país já tivesse superado este tipo de coisa. Não gosto de novelas, não assisto e nem sei como é essa Babilônia a não ser pelos comentários na imprensa. Agora vou assistir e conferir.

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Márcio de Sá 29 de março de 2015 - 20:12

Muito boa essa matéria.
Ela trata, de forma verdadeira, pungente mas doce, uma realidade sempre negada pela imensa maioria da sociedade brasileira.
Falar sobre o amor lésbico é, aos olhos dos “moralistas”, pior que falar sobre o amor gay (no sentido exclusivo de amor entre homens). É mais indecente, mais despudorado ainda!
Nathalia Timberg e Fernanda Montenegro estão perfeitas, singelas e convincentes no amor que vivem.
A novela, como um todo, está sendo muito bem feita.
Parabéns ao 50 e Mais!

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