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Número de obesos no Brasil não para de aumentar

Por Maya Santana

Um total de 29 milhões de brasileiros são obesos e 95 milhões estão acima do peso

29 milhões de brasileiros são obesos e 95 milhões estão acima do peso

O engenheiro de sistemas Walmor Ferreira não se faz de rogado. Quando a fome  bate, corre para a lanchonete e devora um x-burger – ou dois. Em casa tem sempre  embalagens de pizza pré-pronta na geladeira. Costuma regar tudo com doses  generosas de refrigerante. Aos 23 anos, 1,82 m de altura, ostenta 135 quilos.  Não faz um exercício desde que deixou os bancos do ensino básico, já enfrentou  muito olhar torto, mas só se incomoda mesmo quando o tema da obesidade envereda  para a discussão de problemas que costumam acompanhá-la, como o diabetes e a  hipertensão. “Não sinto nada ainda e não sei por que pensar nisso”, reage  Ferreira, filho de pai diabético e hipertenso. “Já estou acostumado com o meu  corpo, tenho namorada e não encaro a obesidade como problema. Pode ser que no  futuro me arrependa, mas posso me arrepender de tantas outras coisas  também…”

Ferreira engrossa uma estatística que não para de ganhar corpo no Brasil.  Pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde aponta que a obesidade tem crescido  a uma taxa de 1% ao ano no país. Hoje atinge mais de 15% da população. Já são 29  milhões de brasileiros obesos. Nada menos de 1,5 milhão sofre de obesidade grave – que é quando o índice de massa corporal (IMC), um indicador internacional  estabelecido quando se divide o peso pela altura ao quadrado, é igual ou  superior a 40. Quase 95 milhões já enfrentam problemas de sobrepeso ou IMC acima  de 24,9 kg/m2.

O mais grave é que crianças muito pequenas já estão gordas demais

O mais grave é que crianças muito pequenas já estão gordas demais

Democraticamente, a obesidade cresceu em todas as regiões do país, em todas  as faixas etárias e em todas as classes sociais. E reserva um legado ameaçador.  De acordo com a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada pelo Instituto  Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma em cada três crianças entre 5  e 9 anos estava com peso acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde  (OMS), entre 2008/2009. O índice de jovens de 10 a 19 anos com excesso de peso  passou de 3,7%, em 1970, para 21,7%, em 2009. Estudo da Universidade de Brasília  (UnB) calculou que o Sistema Único de Saúde (SUS) gasta R$ 488 milhões por ano  no tratamento da obesidade e de 26 doenças relacionadas a ela, como diabetes,  hipertensão, cardiopatias e alguns tipos de câncer. “Precisamos agir na  prevenção para evitar o problema de saúde pública a que chegaram os EUA”,  afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na cerimônia de divulgação dos  dados da doença no Brasil e do lançamento da portaria que amplia os programas  preventivos, reduz a idade mínima para cirurgias bariátricas de 18 para 16 anos,  sem o limite máximo de 65 anos, e reajusta o valor pago pelo SUS para o  procedimento.

“A obesidade é, em geral, tratada como uma alteração, mas é uma doença. Uma  doença populacional”, diz Maria Aparecida Conti, psicóloga do Instituto de  Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo e professora do curso de  psicologia da Universidade Cruzeiro do Sul. “A obesidade é um problema mais  sério no Brasil do que o cigarro”, ressalta Mário Carra, presidente da  Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).  “O fumo foi tratado com ação de saúde pública, o que parece mais difícil no caso  da obesidade porque envolve educação familiar e a indústria de alimentos”,  alerta a endocrinologista Luciana Bahia, integrante da equipe de pesquisadores  da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) que num levantamento anterior  apontou gastos para o SUS de R$ 3,5 bilhões ao ano, com previsão de chegar a R$  38 bilhões em uma década, considerando-se as despesas com o tratamento de todas  as doenças ligadas ao excesso de peso e não apenas à obesidade. “O Brasil ocupa  uma liderança indesejável no mundo quando se trata de obesidade”, afirma Almino  Ramos, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica  (SBCBM).  Leia mais em valor.com.br

 

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