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O admirável milagre do museu-parque Inhotim

[tribulant_slideshow gallery_id=”82″] Dezoito imagens desse que é um dos maiores museus a céu aberto do mundo

Esta reportagem de A.J.Barca sobre Inhotim, um dos maiores museus ao ar livre do mundo, localizado a cerca de 70 km de Belo Horizonte, foi publicada pelo jornal El País e não poupa elogios a Bernardo Paz, o mineiro criador do museu-parque, há nove anos. Inhotim é uma ilha de excelência bem no meio das Minas Gerais – programa obrigatório para quem ama arte contemporânea e jardinagem.

Leia a reportagem:

Inhotim é várias coisas. É um dos maiores museus de arte contemporânea ao ar livre do mundo, com mais de 80 esculturas espalhadas ao longo de 140 hectares, entre montanhas verde-esmeralda em um lugar do Estado de Minais Gerais, no Sudeste do Brasil, a 70 quilômetros da capital, Belo Horizonte; é também um enorme jardim botânico, com viveiros, exemplares únicos e uma coleção de 800 tipos de palmeiras diferentes. Mas é principalmente o sonho fantástico tornado realidade de um homem singular: Bernardo Paz, de 64 anos, que não passou do ensino secundário mas se tornou milionário exportando ferro e aço. Aos 45 anos, quando já possuía uma boa coleção de arte contemporânea e estava farto de dar voltas ao mundo com uma maleta de negociante, decidiu transformar sua casa de campo num jardim tropical de conto de fadas para viver rodeado para sempre por uma enorme quantidade de beleza natural e artística.

Bernardo Paz, criador de Inhotim, há nove anos
Bernardo Paz criou Inhotim, a 70 km de BH, há nove anos

Em 2006, abriu as portas de seu éden ao público, cobrando 40 reais a entrada, acreditando que tudo aquilo algum dia se tornaria sustentável. Ainda não é. Então o antigo empresário que fugia do estresse voltou a se preocupar (e a pensar que uma vida não lhe bastará) tentando tornar rentável algo parecido com o paraíso. Contudo, Inhotim tornou-se o surpreendente catalisador econômico de uma região voltada à mineração que hoje está com a cotação em baixa. A imensa maioria do exército de 1.000 pessoas que trabalha lá, entre jardineiros, empregados de manutenção, operários, garçons, guias e vigilantes vem da pequena cidade próxima de Brumadinho, de 35.000 habitantes, onde Bernardo Paz é conhecido por todos simplesmente como senhor Bernardo.

O visitante chega, percorre um caminho de paralelepípedos entre bambuzais –que funcionam como muros de um fortim verde–, cruza uma pequena ponte sobre um riacho e encontra uma enorme clareira em que se vê ao fundo um lago azul rodeado de uma pradaria limpíssima e uma majestosa árvore do tamanho de uma casa de cinco andares, com 90 anos de idade, chamada tamboril, cujos ramos se estendem pelo espaço em forma de mãos abertas. Mais à frente há caminhos empedrados que levam o visitante a rincões longínquos do parque-museu em busca de alguma das obras de artistas como os norte-americanos Matthew Barney, Chirs Burden ou a colombiana Doris Salcedo, entre muitos outros.

Numa colina há uma piscina em forma de agenda telefônica gigante, obra do argentino Jorge Macchi. As escadas são as letras ordenadas alfabeticamente. É linda. Mas não está lá só para ser contemplada, mas para mergulhar. Ali perto há um lugar para se trocar e onde encontrar roupa de banho. Tudo nesse parque (ou museu, ou jardim, ou bosque ou o que seja) convida a mergulhar nele, ao puro desfrute.

Há salas de exposições rodeadas de redes para que o visitante se deite e contemple as obras desde as vidraças de fora. Os números são o que são (22 galerias inteiras, como minimuseus espalhados, 300.000 visitantes ao ano), mas não explicam o que sente o visitante quando, cansado de andar, ele se esparrama num banco e passa o resto da tarde olhando como o sol doura uma deliciosa escultura de bronze enquanto uma borboleta azul-elétrico do tamanho de um Ipad mini voa nervosamente ao redor. Clique aqui para ler mais.

 

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