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O baú de Clara Nunes guarda raridades

Por Maya Santana

A cantora mineira morreu há exatos 30 anos de complicações numa cirurgia

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Clara Nunes não gostava de ser chamada de sambista. Embora essa imagem persista 30 anos após a sua morte, completados na terça-feira. E, realmente, Clara era muito mais que isso. “Ela detestava o termo sambista. Achava-o reducionista. Ela se considerava uma intérprete da MPB”, diz o jornalista Vagner Fernandes, autor da biografia Clara Nunes – Guerreira da Utopia (2007).

Clara nasceu em Caetanópolis, em Minas Gerais, em 1942, e começou sua carreira no final da década de 50 cantando em estações de rádio de Belo Horizonte. Em 1966, gravou seu primeiro disco, A voz adorável de Clara Nunes, com sambas-canção e boleros. A gravadora Odeon (atualmente EMI), na qual Clara gravou todos os seus discos, queria que a cantora fosse uma espécie de Altemar Dutra – cantor romântico de sucesso na época – de saias.

Ela tinha só 40 anos quando perdeu a vida

Clara nasceu em Carmópolis, Minas Gerais, em 1942

Mas Clara conseguiu escapar da armadilha de seguir uma receita para alcançar o estrelato. No início da década de 70, com apoio do produtor Adelzon Alves, reinventou-se como artista. Com o samba “Você passa e eu acho graça”, de Carlos Imperial e Ataulfo Alves, inaugurou uma nova fase na carreira. Essa sim, de muito sucesso. Em entrevista ao jornal O Globo, em 1973, a cantora declarou: “Eu não tinha alguém que ouvisse os meus planos e aceitasse as minhas pesquisas. Ele (Adelzon) ouviu, me deu o apoio necessário”, disse.

Nas “pesquisas” de Clara estava o resgate de compositores como Candeia, Cartola e Nelson Cavaquinho e, na segunda metade da década de 70, um mergulho nas raízes afro-brasileiras. “Ao longo de sua trajetória, Clara provou que podia cantar muito bem diversos compositores, como Luiz Gonzaga, Chico Buarque e Vinicius de Moraes, além de diversos ritmos”, diz Vagner Fernandes.

Um dos registros que ilustra muito bem a pluralidade de Clara é o CD O poeta, a moça e o violão, gravação do show que a cantora fez em 1973 ao lado de Vinicius de Moraes e Toquinho. “Na época, Clara despontava com todo talento que acabaria confirmado ao longo de sua carreira”, diz Toquinho. O cantor e compositor diz ainda que a cantora era uma pessoa especial. “Doce na convivência e extremamente profissional, interessada e envolvente. Além do talento como intérprete afinadíssima, com um timbre de voz forte e vibrante, completado pela graciosa presença de palco”, afirma. Leia mais em epoca.com.br

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1 Comentários

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Toninho Reis 4 de abril de 2013 - 05:50

Oh tempo bom , saudades….

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