fbpx

O bem que avós carinhosos fazem aos netos

Por Maya Santana

Netos que têm o privilégio de ter avós afetivos só ganham

Netos que têm o privilégio de ter avós afetivos só ganham

Os dois lados ganham e muito quando avós e netos mantêm relações carinhosas, afetivas. É disse que trata este ótimo artigo da neurocientista Suzana Herculano-Houzel publicado pela Folha de São Paulo.

Leia:

Dizem as teorias sobre a evolução (esta, um fato – mas isso é outra história) que importa para a perpetuação da espécie simplesmente se os indivíduos conseguem se reproduzir, passando seu gene adiante. Nesse caso,  o que acontece depois seria biológica e evolutivamente irrelevante.

Mas estão aí nossos avós para provar que a história não é bem assim. E não se trata apenas de avós humanos.  Em várias espécies nas quais fêmeas permanecem em bandos, avós-elefantas, avós-leoas, babuínas e chipanzés têm oportunidade de interagir com seus netinhos.

Como o envelhecimento saudável pode ser evolutivamente genético, ou seja, que vantagens evolutivas ele pode ter? Muitas, como sabe quem cresceu com avós presentes – e como sabem também os avós que têm seus netinhos por perto. Mas vou ilustrar por ora apenas com os achados do neurocientista Stephen Suomi, do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano nos EUA.

Suomi aprendeu com seu orientador, Harry Harlow, que filhotes de macacos reso criados sem mãe e sem carinho crescem com um leque de distúrbios sociais e de ansiedade. Ter mãe, afinal, não é ter apenas que alimenta e proteja. Mas, em seguida, Suomi descobriu que a introdução de macacas e macacos idosos, cuidadores experientes e carinhosos, resgatava o desenvolvimento dos bebês.

Não de qualquer jeito: se o contato com os bebês era forçado, a saúde dos “avós” deteriorava. Mas, tendo a opção de ir e vir à vontade, ter “netinhos” para cuidar recuperava também a saúde física e mental dos macacos idosos – alguns até se tornaram pais novamente!

Avós voluntariamente carinhosos, portanto, ajudam não só a educar a nova geração, como ainda a fazer vingar netinhos saudáveis e bem integrados socialmente. E, de quebra, os avós se mantêm revigorados por serem úteis aos netos. Eu bem sei. Perdi a minha avó no início deste ano. Cresci ouvindo-a dizer, sempre hiperbólica, que estava à beira da morte – mas, ela manteve a saúde de um touro enquanto teve netos e bisnetos por perto de quem cuidar.

Consolo-me, então, pensando não nos anos que perdemos, mas nos 40 em que tive o privilégio de crescer com uma avó que me ensinou música, tricô, costura, empadão e leite queimado.; que me divertia não engolindo sapo algum e dirigindo feito uma louca até os 80 e tantos anos – e que sempre teve colo para mim e, depois, para os meus filhos.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

2 × cinco =