O Brasil da grande poeta Elizabeth Bishop

Por Maya Santana
A poeta americana viveu no Rio de Janeiro, em Petrópolis e em Ouro Preto

A poeta americana viveu no Rio de Janeiro, em Petrópolis e em Ouro Preto

O filme Flores Raras,2013, foi a primeira tentativa de popularizar a história de Lota de Macedo Soares, idealizadora do aterro do Flamengo,e Elizabeth Bishop, uma das maiores poetas da lingua inglesa. A americana, que faria 100 anos em 2014, desembarcou no Brasil no início da década de 1950 e passou boa parte de sua vida no Brasil – no Rio de Janeiro, Petrópolis e Ouro Preto, em Minas Gerais. É dessa importante fase de sua vida que trata esse artigo de Javier Montes para o El País. Pra lá de interessante.

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Elizabeth Bishop morreu em 1979, desde então sua poesia relutante e sua biografia acidentada a converteram em figura cult – para muitos admiradores, a melhor poeta norte-americana do século. Octavio Paz a traduziu ao espanhol, e tivemos a oportunidade de saber um pouco mais sobre sua vida itinerante e complicada com o filme Flores Raras, que narra seus anos brasileiros, entre 1951 e 1971, e sua história de amor com a arquiteta Lota de Macedo Soares, herdeira de uma ilustre família carioca e com quem Bishop passou a época mais feliz de sua vida. O filme foi sucesso de bilheteria no Brasil, que apenas agora começa a recuperar a história das duas e a interessar-se por uma das escritoras estrangeiras que m elhor conheceram e retrataram o país (no que ele tem de bom e de ruim).

Procurar as casas de Bishop é uma boa maneira de recordar os anos dourados de um Brasil que esbanjou criatividade e otimismo nos anos 1950 e 1960. Lota Macedo era uma mulher culta e mandona que projetou o grande Aterro do Flamengo, no Rio, e introduziu Bishop de repente no núcleo duro das vanguardas do Brasil moderno: a casa do casal no Rio de Janeiro foi durante esses anos o melhor lugar para conhecer a boemia dourada carioca. Móbiles de Alexander Calder e quadros de Portinari adornavam o ático com vista para o mar na praia do Leme. O imóvel magnífico continua ali, no número 5 da rua Antonio Vieira, um bom exemplo do Art Deco dos anos 1930, época em que o Brasil se metamorfoseava no país eternamente ensolarado que inventava o samba e construía Copacabana com uma impossível Paris praieira e tropical.

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Mas Bishop nunca ficou inteiramente à vontade no Rio: “Não é a cidade mais bela do mundo, apenas o lugar mais belo do mundo para uma cidade”. Achava a classe alta provinciana e esnobe, e a indiferença dela diante da corrupção e da desigualdade enorme provocava sua repulsa. A casa que se converteu em seu lar, em símbolo e personagem de seus poemas, foi a que Lota construiu em Samambaia, uma vila na serra de Petrópolis, a uma hora de carro do Rio. A casa estava em construção quando elas se conheceram e acabou sendo uma das obras-primas da arquitetura do século XX. Lota contou com a ajuda do grande arquiteto Sérgio Bernardes, e a casa ficou famosa em pouco tempo: Walter Gropius e Alvar Aalto a elogiaram, Richard Neutra a visitou e as revistas internacionais a fotografaram. Como gesto de amor, Lota acrescentou ao projeto já em obras um pequeno estúdio independente para escrever olhando as cachoeiras e os morros da serra. Foi um reino secreto nas alturas onde Bishop encontrou calma e inspiração: “Tenho que te deixar”, ela termina uma de suas cartas abruptamente, “porque uma nuvem está entrando pela janela”. Clique aqui para ler mais.


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