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Teve uma repercussão muito positiva a escolha da organização do Enem de um assunto que cada vez mais ganha importância como tema da prova de redação, realizada no último domingo – ‘Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira’.
O Brasil envelhece rapidamente, mas muitos setores ainda não se deram conta dessa profunda mudança. A escolha desse assunto me parece o melhor sinal de que as pessoas mais velhas estão começando a sair da invisibilidade.
Embora haja cada vez mais velhos e velhas no país, ainda existe muito preconceito contra essas pessoas, discriminadas com base unicamente na idade. É um preconceito que tem muitos nomes: etarismo, idadismo, ageísmo, velhofobia,
Leia o artigo completo de Luiz Eduardo de Castro para O Globo:
Etarismo, idadismo ou ageísmo? De acordo com a pesquisadora Mirian Goldenberg, antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os três termos estão corretos e podem ser usados para definir o preconceito ou a violência contra pessoas devido à idade.
Segundo ela, jovens também podem ser vítimas — por exemplo, numa seleção para emprego, quando candidatos mais novos poderiam ser descartados por suposta falta de experiência. Neste domingo, no entanto, na redação do Enem 2025 sobre envelhecimento da população brasileira, as expressões deveriam ser utilizadas como preconceito contra idosos.
Apesar das três opções, Goldenberg adota em seus trabalhos uma quarta denominação:
— Etarismo é o mais comum; idadismo tem começado a ser usado por ser considerado mais claro e é tão correto quanto; já ageismo é um estrangeirismo, que vem de “age” (“idade” em inglês), mas também está certo — afirma. — Eu prefiro velhofobia, que diz logo a que veio, o que é muito importante no Brasil, um país extremamente velhofóbico.
Velhos mais visíveis
O primeiro dia de aplicação do Enem 2025 propôs, além de 90 questões objetivas, uma redação com o tema ‘Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira’. De acordo com a pesquisadora, é “maravilhoso uma prova feita por estudantes em sua maioria adolescentes propor um tema sobre envelhecimento”.
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— Isso mostra como os problemas enfrentados pelos velhos brasileiros estão mais visíveis do que nunca — prossegue. Goldenberg afirma, também, que o tema reflete o processo de mudança etária da população brasileira, que tem se tornado cada vez mais velha.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 37,8% da população brasileira deverão ser pessoas de 60 anos ou mais até 2070. O instituto também verificou em 2023 que o número de idosos no país ultrapassou, pela primeira vez na história, o número de jovens de 15 a 24 anos.
— Durante muito tempo, se dizia que o Brasil é um país de jovens. Não mais — afirma Goldenberg.
A estudiosa diz ainda que o tema pode servir para sensibilizar jovens que, mesmo sem perceber, cometem atos de preconceito contra pessoas idosas.
— Cinquenta e um por cento dos casos de violência contra idosos acontecem dentro de casa e são cometidos por familiares, como filhos, netos, genros e noras — afirma. — Discutir o assunto pode levar o jovem a perceber o que faz.
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