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'O Demônio do Meio Dia' fala de depressão e suicídio

Por Maya Santana

O autor Andrew Salomon completa 50 anos em outubro

O autor Andrew Salomon completa 51 anos em outubro


Suicídio é um tema do qual a imprensa praticamente não trata. A crença geral parece ser que noticiando os suicídios os meios de comunicação acabam incentivando certas pessoas a por fim à vida. O fato é que, noticiado ou não, o número de suicídios é alto. No Brasil, foram registrados quase 10 mil – 9.852 – em 2011. Calcula-se que mais gente tenha morrido assim, pois nem todos os suicídios são notificados. Estudos mostram que 90% dos casos estão relacionados a “estados depressivos”. A depressão e suas devastadoras consequências são o tema do premiado livro O Demônio do Meio Dia, que acaba de ser lançado no Brasil. A obra é de autoria do americano Andrew Salomon, ele próprio um deprimido.
Leia o artigo sobre o livro publicado pelo Estadão:
Quando Andrew Solomon escreveu O Demônio do Meio-Dia, mergulhou fundo nas imagens. Só assim, quem sabe, alguém que nunca viu a cara da depressão poderia entender essa dor. Uma das imagens era a da trepadeira que tomou conta de um carvalho centenário. “Só bem de perto se podia ver como haviam sobrado poucos ramos vivos, e quão poucos e desesperados gravetos brotavam do carvalho, espetando-se como uma fileira de polegares do tronco maciço.”
O carvalho centenário era o carvalho da sua infância, e a trepadeira de fato o sugou. A depressão Solomon a viveu na alma, num estágio severo, depois de a mãe morrer num sucídio assistido, após longo tratamento de câncer. “No final, eu estava compactado e fetal, esvaziado por essa coisa que me esmagava sem me abraçar.” Esse americano-britânico, a um mês dos 50 anos, tinha 31 na época. Levou mais cinco anos para compor uma anatomia da doença que em 2001 ganhou o National Book Award e em 2002 foi finalista do Pulitzer.
Livro acaba de ser lançado no Brasil pela Objetiva

Livro acaba de ser lançado no Brasil pela Objetiva


Se O Demônio do Meio-Dia, lançado no Brasil pela Objetiva, emerge aqui nessa semana, é por causa do Dia Internacional de Prevenção ao Suicídio. Na terça-feira foi lembrada a taxa mundial de suicídio divulgada pela OMS: entre 10 e 30 por 100 mil habitantes. O Datasus soltou o número de 9.852 brasileiros que se mataram em 2011. Considerando-se a subnotificação, presume ser maior. No geral, com o que corroboram vários estudos, cerca de 90% dos suicídios estão associados a estados depressivos. “Depressão e suicídio são entidades separadas que com frequência coexistem, influenciando-se mutuamente”, afirma Solomon. Por falta de uma, ele propõe políticas públicas para as duas, com formação de profissionais de saúde e ferramentas na medida para distúrbios ainda sub ou sobretratados.
Nesta entrevista, feita a partir de Cleveland, Ohio, o escritor menciona o novo livro, Longe da Árvore, que será lançado em outubro pela Companhia das Letras. São mil páginas sobre o universo de famílias cujos filhos são marcados pela excepcionalidade. Seu foco na nossa conversa, porém, é o tratamento daquilo com que Solomon precisa conviver eternamente, à espreita de que a trepadeira queira subir novamente pelos seus pés: “Toda manhã e toda noite, olho para as pílulas na minha mão: branca, rosa, vermelha, turquesa. Às vezes parecem uma escrita, hieróglifos dizendo que o futuro pode ser muito bom, e que devo a mim viver para vê-lo”.
O senhor costuma dizer que a depressão ceifa mais anos do que a guerra, o câncer e a aids juntos. Em suas palavras, ela pode ser “a maior assassina da Terra”. Como explicar a escala do problema?
A variação do estado de ânimo é uma vantagem da evolução da espécie. Sem a capacidade de ser triste, por exemplo, não teríamos o amor como o conhecemos, já que ele contém necessariamente a sensação da perda antecipada, que aumenta nosso apego à pessoa. A depressão é uma disfunção desse espectro. No entanto, como é contígua à tristeza e à ansiedade, é difícil regulá-la. Provavelmente temos mais casos de depressão nestes tempos modernos do que tivemos ao longo da história. São tempos eletrônicos, superconectados e superpovoados, que nos impõem tensões não vividas no passado. Com novos discernimentos, diagnosticamos a doença com mais frequência. E porque temos um tratamento mais eficaz, há um incentivo para que as pessoas se identifiquem com essa condição. Contudo, apesar dessas ferramentas clínicas (drogas, psicanálise, terapia cognitivo-comportamental, terapia eletroconvulsiva, etc), a maioria das pessoas com depressão não recebe tratamento, o que é um desastre para a saúde pública. Clique aqui para ler mais.

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2 Comentários

Cristiani Esteves 5 de agosto de 2014 - 02:04

( em seu blog) INFORMAÇÕES ERRADAS…bem “desinformantes” colocadas sem nenhuma pesquisa séria!
Palavras do SEU blog : Livro acaba de ser lançado no Brasil pela Objetiva.
Se O Demônio do Meio-Dia, lançado no Brasil pela Objetiva, emerge aqui nessa semana, é por causa do Dia Internacional de Prevenção ao Suicídio.
PRIMEIRO – Esse livro está sendo Relançado e não lançado. O lançamento foi em 2001/2002.
SEGUNDO- A nova edição , é uma edição econômica ( palavras da editora Cia das Letras)
TERCEIRO – Relançado pela Companhia das Letras e não OBJETIVA .
QUARTO- A capa do livro que vc colocou , é da edição 2001/2002 – a nova edição tem uma capa totalmente diferente.
Enfim…

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Eduardo 11 de agosto de 2018 - 11:42

Ótimas palavras.

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