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O envelhecimento da população e a falta d’água

Por Maya Santana

De repente, o mundo se deu conta que tem menos água do que necessita

De repente, o mundo se deu conta que tem menos água do que necessita

Jorge Félix

De repente o mundo se deu conta de que tem mais petróleo e menos água do que necessita. O preço do óleo despenca em todo o planeta e o da água ameaça o orçamento familiar. A situação amplia as incertezas econômicas e é um desafio para o planejamento de todos nós em qualquer prazo de tempo que se estabeleça. Se envelhecer bem depende de programação, a crise hídrica acrescenta grande dificuldade para os idosos – sobretudo os do futuro. Ela também coloca em outro patamar os estudos sobre população e meio ambiente que, por muito tempo, estacionaram em culpar o crescimento populacional pelo aumento da pressão sobre os recursos naturais. Os pesquisadores dedicados ao tema começam, agora, a sofisticar seus estudos para detectar a relação entre envelhecimento da população e questão ambiental.

Em outras palavras, como a mudança climática ameaça a velhice sustentável, já que o mundo envelhece? Em todo o planeta, os eventos extremos têm afetado o segmento mais vulnerável. Só para citar alguns exemplos de como as pessoas idosas estão sendo as maiores vítimas do aquecimento global, lembro uma reportagem de um telejornal brasileiro, há poucos dias, em que uma senhora de seus quase 70 anos, na cidade de Itu, em São Paulo, reclamava de pagar R$ 120,00 por semana pela água de um carro pipa dividido com os vizinhos. Como mais de 70% dos beneficiários da Previdência Social brasileira recebem até dois salários mínimos, o peso dessa “despesa extra” é enorme.

Mencionei a questão da água em meu livro “Viver Muito” (Ed. Leya, 2010), como um empecilho para o planejamento financeiro. O idoso do futuro terá despesas que nunca tiveram seus pais e muito menos seus avós. Esse é o aspecto individual da questão. No âmbito social, três perguntas inquietam: uma sociedade mais envelhecida pode ser mais ou menos sustentável ambientalmente? O indivíduo demandaria mais ou menos recursos naturais à medida que envelhece? Como uma economia da longevidade poderia mitigar esses efeitos?

No livro “Novo regime demográfico – uma nova relação entre população e desenvolvimento?”, editado recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), sob a coordenação de Ana Amélia Camarano, dois capítulos analisam a relação envelhecimento e meio ambiente. Como se sabe, o envelhecimento populacional (maior percentual de idosos na população) decorre de um aumento na expectativa de vida concomitante a uma baixa taxa de fecundidade (número de filhos por mulher). O resultado é uma redução da população a longo prazo e o seu envelhecimento. Os ecologistas sempre defenderam, portanto, a baixa fecundidade a despeito do efeito colateral do envelhecimento com a justificativa de que uma população menor pouparia os recursos naturais do planeta. O pesquisador José Féres, autor de um dos capítulos, começa seu texto destacando que o menor ritmo de crescimento populacional do Brasil nas últimas décadas em nada ajudou a tornar mais amena a degradação ambiental. Pelo contrário. Clique aqui para ler mais.

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