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O lado erótico e sentimental de Fernando Pessoa

Por Maya Santana

Fotos, cartas e envelopes inéditos de Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz. Dezesseis anos de afeto

Fotos, cartas e envelopes inéditos de Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz. Dezesseis anos de afeto

Luis Antônio Giron

A vida do poeta português Fernando Pessoa (1888-1935) pode ser interpretada como uma lenta desencarnação. Ele foi saindo da vida discretamente, sem estampido, para entrar na história do mesmo jeito, de forma irreversível. Deixou um baú de 30 mil páginas com que pretendia alcançar a eternidade literária – e alcançou. “Deixem estar, que, quando eu morrer, ficam cá caixotes cheios”, disse aos amigos, inconformados com tão poucas publicações em vida. A lenda conta que morreu virgem, aos 47 anos. Como o definiu seu biógrafo, João Gaspar Simões, era “o enigma de Eros”. No ano de sua morte, escreveu: “Todas as cartas de amor são ridículas”.

Serão mesmo? Ainda assim, Pessoa caiu na tentação do “ridículo” e escreveu 51 cartas de amor a uma datilógrafa lisboeta chamada Ofélia Queiroz (1900-1996). Ela lhe enviou 272. A correspondência traz à tona a faceta de Pessoa que ele menosprezava: o namorado ciumento, atrevido, lírico e erótico. Algumas cartas de Pessoa e Ofélia foram publicadas em separado, respectivamente, em 1978 e 1996. A própria Ofélia ajudou na edição de seu material. A estudiosa portuguesa Manuela Parreira da Silva lançou, em 2012, uma versão parcial da correspondência conjunta. Agora, pela primeira vez, a troca de mensagens de Pessoa e Ofélia é reunida com transcrição e fac-símiles dos textos, no livro Fernando Pessoa & Ofélia Queiroz – Correspondência amorosa completa, 1919-1935 (Editora Capivara-Portugal Telecom, 274 páginas, R$ 140). O livro foi organizado pelo professor americano Richard Zenith, um dos maiores estudiosos atuais de Pessoa. Reúne 348 documentos, entre cartas, telegramas e cartões-postais. Desses, 156 são inéditos.

O acervo amoroso de Pessoa e sua namorada pertence ao colecionador paulistano Pedro Corrêa do Lago. Ele o arrematou parcialmente em leilão na Sotheby’s, em Londres, em 2002, e completou-o em compras posteriores. Lago e a mulher, a pesquisadora Bia Corrêa do Lago, editaram o volume. “É um tesouro cultural luso-brasileiro”, diz ele. “Fico feliz que essa história de amor esteja no Brasil.” A correspondência cruzada, segundo ele, revela detalhes pouco divulgados da personalidade de Pessoa, como sua linguagem coloquial e o modo ardoroso e ousado como se relacionava com uma mulher. “As cartas suscitam especulações sobre sua sexualidade”, afirma. Leia mais em epoca.com.br

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