O "monstro dos olhos azuis" na cadeira de rodas

Por Maya Santana

A bela atriz no começo de carreira

A bela atriz no começo de carreira


Tônia Carrero foi uma das mulheres mais bonitas da televisão e do cinema brasileiros. Com sua beleza loura, reinou absoluta por muitos anos: uma diva, na verdadeira acepção do termo. Neste artigo de Ruth Aquino para a revista Época, a jornalista fala do encontro que teve com a atriz, numa praça da zona sul do Rio de Janeiro, onde, numa cadeira de rodas, ela tomava sol. Tônia vai completar 92 anos em agosto.
Leia:
Quando vi a fila de seis idosas em cadeiras de rodas numa praça do Leblon, à luz do sol de inverno, com acompanhantes, passei direto – mas voltei para registrar a imagem terna com meu celular. Pareciam amigas. Unidas pelos anos e limites físicos, fofocavam coisas da vida, dos netos e bisnetos. Não desconfiei que a da ponta, elegante, com óculos escuros de aro branco, colar, camisa branca, calça estampada e chapéu de aba frondosa sobre os cabelos louros curtos fosse uma de nossas maiores divas do teatro e cinema, talvez a mais bela: Tônia Carrero, que acabara de fazer 91 anos.
Na cadeira de rodas, em uma praça carioca

Na cadeira de rodas, em uma praça carioca


Ao me aproximar do grupo com a curiosidade de quem tem pai e mãe de 91 anos, ouvi uma cuidadora me dizer: aquela é a atriz Tônia Carrero. Senti zero de pena, porque Tônia não merece nem precisa disso. Até hoje é cercada de amigos, tem um filho, Cecil Thiré, quatro netos e cinco bisnetos. Dessa prole, seis são atores. Em 2012, celebrou os 90 com uma festa vespertina. Escolheu o bolo e as taças de champanhe. Não quis maquiagem. Pediu ao filho: “Quero receber todos de cara limpa”.
O que senti ao ver Tônia na minha frente, com o rosto abaixado, foi emoção. Era um encontro mudo com o “monstro de olhos azuis” – título de seu livro de memórias, lançado em 1986 e reeditado no ano passado. Tônia não dá mais entrevista. Vive reclusa como Greta Garbo, a atriz sueca que foi muito mais radical. Garbo sumiu aos 36 anos, para viver anonimamente em Nova York por meio século. Não é o caso de Tônia. Não há covardia. Apenas cansaço e pudor. Ela jamais receou envelhecer sob os holofotes, algo difícil para as extremamente belas. Hoje, acha que já disse tudo. Aos 80, afirmou, em entrevista a ÉPOCA: “Estou velha sim. A melhor coisa de ficar velha é que hoje estou acima do bem e do mal. Digo o que bem entendo, não tenho medo”.
Disse tudo o que outras atrizes escondem. Revelou amores extraconjugais e plásticas. “Fiz três no corpo: uma na barriga, outra na coxa e uma terceira nos seios. Todas com Pitanguy. Depois, fiz mais duas no rosto. E manutenções periódicas, com aplicações de Botox. Aconselho qualquer mulher que tenha dinheiro a fazer plástica. Sou a favor.”
Com outras senhoras, algumas delas quase centenárias. Foto: Ruth Aquino

Com outras senhoras, algumas quase centenárias. Foto: Ruth Aquino


“Ela fala pelos cotovelos!.. Mas que cotovelos”, disse certa vez o escritor e cronista Rubem Braga no Degrau, bar do Leblon, sobre a mulher por quem nunca se desapaixonou. Braga foi um dos casos tórridos dessa atriz assumidamente desinibida. “Tudo na minha vida aconteceu em decorrência de paixões e por isso não me arrependo de nada. Sempre casei com quem eu quis, mas nunca deu certo.” Clique aqui para ler mais.
Veja aqui o último trabalho de Tônia Carrero no cinema “Chega de Saudade”, de 2008:


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0 Comentários

FÁTIMA GUEDES 29 de maio de 2014 - 14:55

Tônia Carrerro é sim uma DIVA…lindissima, talentosissima…não venceu por sua beleza exuberante mas pelo seu talento…folgo em ter lido sobre ela e saber que está bem, fazendo o que mais demonstrou gostar de fazer…VIVER.

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rosa werneck 8 de maio de 2014 - 12:50

muito bom, bem escrita, sem o menor pudor de ser aberta!

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