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“O Natal e a mentira”, Walcyr Carrasco

Por Maya Santana
É uma das datas mais responsáveis por mentiras

É uma das datas mais responsáveis por mentiras

O Natal é hipócrita. Podem me atirar pedras. Reafirmo. É uma das duas datas mais responsáveis por mentiras. A outra é o aniversário, pelo qual acabo de passar. Fiz 63 anos. Nada pior do que ouvir frases consoladoras do tipo:

– Poxa, mas você não parece.

Como se aparentar a própria idade fosse horrível. E daí se parecer 60, 70, 80? Deveria parecer 20? Nem com toda plástica e Botox do mundo! No máximo, ficaria com a cara paralisada e os olhos puxados, à oriental, como acontece com quem exagera em plásticas. Para quê? Para parecer alguém que não quer aparentar a idade que tem. Mas que aparenta. Deu para entender?É como se diz por aí:

– Ixi, ela está com o rosto todo trabalhado.

Trabalhado quer dizer: reformado. Se pudessem, alguns plásticos ou dermatologistas passariam massa corrida e lixa industrial para garantir o resultado. Ainda não surgiu nenhum produto à altura. Ainda.

Meu aniversário é próximo do Natal, portanto, em dezembro, vivo um festival de hipocrisia. Principalmente em relação a presentes. Não há nada mais difícil do que surpreender alguém com algo de que realmente goste. A não ser que a gente dê, por exemplo, um Land Rover zero. Ou um brilhante do tamanho de uma dentadura. Surpreender é difícil. Se alguém anuncia o presente desejado, também não tem graça. Como pedir: cuecas, meias, CD do Leonardo, um pacote de ração para cães para economizar nos gastos, um mês de academia. Pior, fazer cara de gentil e dizer:

– Acho ótimo você dizer o que quer, assim não erro.

Natal é teste do Enem, que a gente não pode errar? As pessoas espertas confessam:

– Meu maior sonho é conhecer o Caribe!

Finjo que não entendo e digo:

– Sabe que eu não? O Brasil tem praias tão lindas. Já foi para Santos?

Em seguida, começo a falar das belezas de Santos, enquanto o outro me encara com ódio. Santos é uma cidade adorável no litoral de São Paulo, onde muitos aposentados adoram viver. Não é conhecida pela beleza das praias, digamos assim.

Confesse. Nunca mentiu no Natal? Nem quando ganhou algum horror? E falou:

– É exatamente o que eu precisava!

O pior é quando esse horror é objeto de decoração. Quem deu, cada vez que vai em casa fica olhando para ver onde pus. Estaria atirado no fundo de algum rio, se não fosse a fiscalização. Então escondo. Cada vez que vou receber a visita, tenho de lembrar:

– Onde estão aqueles dois coelhinhos de porcelana? Tenho de pôr na mesa da sala. Clique aqui para ler mais.

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2 Comentários

Carla 15 de dezembro de 2014 - 22:38

Dizer que o Natal é alegria pura é real, estaría sendo hipócrita. Vejo- o como um excelente momento para se reunir aos verdadeiros amigos e parentes. A emoção está em alta e o amor é o “carro chefe” – Gosto muito da data. Não amo, mas também não a vejo com tanta frieza. Achei a crônica muito generalizada. É uma pena ver tamanha falta de emoção e amor.

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ROSA BEZERRA 14 de dezembro de 2014 - 21:41

JÁ CONHECE AS BELAS PRAIAS DO NORDESTE? SOA MELHOR…

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