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O nosso racismo vem atravessando os séculos

Por Maya Santana

Brasil foi o país que mais importou negros da África, tratados de forma desumana

Brasil foi o maior importador de negros, tratados de forma criminosa

Maya Santana

Nesta terça-feira, 13 de maio,  quando completa 126 anos da assinatura pela princesa Isabel da Lei Áurea,  pondo fim à escravidão  no Brasil, eu gostaria de recomendar a leitura do extraordinário livro  “Um Defeito de Cor”, da escritora mineira Ana Maria Gonçalves.  Ao longo de quase mil páginas, ela conta a saga de uma escrava trazida para o Brasil – Bahia -, ainda criança, nas condições as mais degradantes. O livro transita por 80 anos da história brasileira e se passa no século 19. É surpreendente a habilidade da autora para manter o leitor fascinado com a vida de Kehinde  da primeira à última página. Lançado em 2006, o livro tem apresentação de Millôr Fernandes.

Chico Buarque: não ao racismo

Chico Buarque: não ao racismo

Gostaria também de recomendar que assistam ao cantor, compositor e escritor Chico Buarque comentar sobre o racismo, claro ou dissimulado, de boa parte dos brasileiros. As pessoas aqui, segundo ele, se acham brancas, querem ser brancas. Chico  fala de sua revolta ao descobrir que sua filha Silvia, ex-mulher do músico Carlinhos Brown, foi forçada a se mudar de um condomínio na Gávea, bairro de classe média alta do Rio, em razão das agressões que seu filho, neto de Chico, sofria dos moradores. Veja o vídeo:

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2 Comentários

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lisa santana 15 de maio de 2014 - 00:16

Por acaso, andando na livraria do prédio 07, na PUC, bato os olhos em um livro que se chama “Os Negros na América Latina” de Henry Louis Gates Jr. um historiador americano. Nele Luís Gates, conta juntamente com os ciclos econômicos das Américas- leia-se mineração, açúcar, tabaco, pecuária – a história do desterro de negros africanos. Nele a gente encontra fatos e casos bizarros. Mas, mais bizarra é a realidade em que o negro se encontra até hoje em todas as Américas. Só no Brasil, até 1800 e pouco entraram 4,5 milhoes de negros. Quem são os descendentes destes negros hoje? Quantos de nós se assume negro ou descendente direto de negro?
Segundo o historiador, foi encontrada 150 designações de cor no Brasil. Ninguém se assume negro aqui, pois afinal desde de tempos imemoriais ser negro é ser irmão da menos valia, da vagabundagem, do banditismo, é ser pobre, é ser feio. No país moreno todos querem ser branco. Vide nossos ídolos e artistas propagados pela televisão até hoje. Tudo isto ainda não é muito triste?

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Elza Cataldo
Elza Cataldo 14 de maio de 2014 - 13:21

Maya, “Um defeito de cor” é um dos livros mais impressionantes que já li. E olha que eu sou leitora voraz. Ana Maria Gonçaves demonstra uma criatividade exuberante e, acima de tudo, nos oferece um retrato único da escravidão no Brasil. Leitura muito oportuna para nos lembrar do preconceito ainda presente nos dias atuais. Infelizmente!

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