
Essa talvez seja a pergunta mais importante. Foto: Reprodução/Internet
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Uma amiga veio me pedir ajuda. Ela recebeu a incumbência de procurar uma casa de repouso para uma senhora de 80 anos, com demência já em um grau mais avançado. Quem pediu para que ela encontrasse um lugar adequado foi o filho dessa senhora, uma brasileira, que mora há mais de 50 anos na Suécia. O filho acredita que ela, mesmo já não reconhecendo quase ninguém e vivendo há tantos anos no exterior, vai se sentir melhor no Brasil.
Escolher uma casa de repouco para alguém de mais idade não é fácil. E a tarefa torna-se ainda mais delicada quando a pessoa em questão está com Alzheimer. Significa que a escolha da instituição merece um cuidado ainda maior. Não basta procurar um lugar bonito ou com boa estrutura: é fundamental saber se a equipe está preparada para lidar com alterações de memória, comportamento, mobilidade, alimentação, sono e possíveis episódios de desorientação.
No Brasil, essas instituições são chamadas de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) e devem cumprir requisitos estabelecidos pela Anvisa. Fiz uma boa pesquisa, conversei com geriatras e com parentes de gente que já vive nessas casas de repouso para saber exatamente o que observar na busca do melhor lugar para internar a senhora octogenária.
Pontos principais a serem observados:
1. A instituição tem experiência real com demência?
Essa talvez seja a pergunta mais importante. Pergunte quantas residentes têm Alzheimer ou outras demências, como a equipe reage a agitação, agressividade, desorientação e tentativas de sair da instituição.
2. Quantos cuidadores existem por residente?
Não olhe apenas o número total de funcionários. Observe quantos cuidadores estão efetivamente presentes durante o dia, à noite, nos fins de semana e feriados. Para uma pessoa com comprometimento cognitivo importante, a necessidade de assistência pode ser elevada.
3. Como são administrados os medicamentos?
Pergunte quem administra, como são conferidas as doses e como os erros são evitados. A Anvisa estabelece que a instituição deve ter controle sobre os medicamentos utilizados e não pode manter estoque de medicamentos sem prescrição.
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4. Há médico e enfermagem disponíveis?
É importante saber se existe enfermeiro, técnico de enfermagem e médico de referência, com que frequência estão presentes e como funciona o atendimento em uma emergência. A ILPI deve ter um plano para encaminhar o residente ao serviço de saúde quando necessário.
5. Como evitam quedas e acidentes?
Observe banheiro, corredores, iluminação, pisos, barras de apoio, camas e acesso às áreas externas. Para alguém com demência, também é importante avaliar portas, portões e possibilidade de sair desacompanhada.
6. O ambiente é acolhedor ou parece um hospital?
Uma boa instituição deve ser uma casa, não apenas um local onde a pessoa recebe cuidados básicos. Veja se há jardim, espaços para convivência, atividades, música, leitura, exercícios e contato com outras pessoas.
7. Existe rotina individualizada?
Pergunte: “O que vocês fazem quando uma residente não quer tomar banho? E quando não quer comer? E quando fica agitada à noite?” As respostas dirão muito sobre a filosofia de cuidado.
8. Como é a alimentação?
Verifique se há nutricionista, possibilidade de adaptar consistência dos alimentos e acompanhamento de perda de peso, dificuldade para mastigar ou engolir.
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9. Como a família participa?
Visitas precisam ser facilitadas. A família deve receber informações sobre mudanças de comportamento, quedas, alimentação, sono, infecções e consultas médicas. A participação familiar e a preservação da identidade e da dignidade da pessoa idosa fazem parte das boas práticas previstas para as ILPIs.
10. Faça mais de uma visita.
Se possível, apareça sem avisar. E converse separadamente com familiares de residentes. Pergunte o que acontece quando surge um problema e se a instituição comunica rapidamente a família.
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Por último, mas não menos importante, é o preço que a instituição cobra para acolher um idoso. Com a pesquisa, constatei que costumam ser altos. Numa das casas de repouso que visitei, a que achei que oferecia bons e confiáveis serviços, o preço de um quarto individual gira em torno de R$17 mil. Uma pancada, né?





