
50emais
Uma queda pode parecer um acidente banal. Para uma pessoa idosa, porém, pode ser o começo de uma longa e dolorosa sequência de problemas: fratura, hospitalização, perda de mobilidade, medo de cair novamente, dependência e, em alguns casos, morte.
Estima-se que aproximadamente 28% a 35% das pessoas com 65 anos ou mais sofram uma queda todos os anos. Entre os que têm mais de 70 anos, a proporção pode chegar a 42%. No Brasil, um levantamento apresentado pela Câmara dos Deputados, com dados do Ministério da Saúde, mostra que um em cada três brasileiros com mais de 65 anos cai pelo menos uma vez por ano e que cerca de 10% dessas quedas provocam lesões graves.
E quanto maior a idade, maior o risco. Entre pessoas com 80 anos ou mais, estima-se que 40% sofram quedas a cada ano. Em instituições de longa permanência, a frequência pode chegar a 50%.
Alterações no equilíbrio
Com o passar dos anos, há redução da força muscular, alterações no equilíbrio, mudanças na visão e na audição e maior dificuldade para recuperar rapidamente o corpo depois de um tropeço. A osteoporose também pode fazer com que uma queda aparentemente simples resulte em uma fratura importante.
A fratura de quadril, especialmente, pode representar uma virada na vida de uma pessoa. Depois de uma hospitalização e de um período de imobilidade, alguns idosos não conseguem recuperar completamente a autonomia que tinham antes.
Leia também: Como evitar quedas, tão comuns depois dos 60 anos
Mas o problema não termina no osso quebrado. A imobilização aumenta o risco de complicações, enquanto o medo de uma nova queda pode levar a pessoa a deixar de caminhar, sair de casa, fazer compras ou encontrar amigos. É um círculo perigoso: a pessoa cai, passa a ter medo de cair novamente, movimenta-se menos, perde força muscular e equilíbrio e, com isso, fica ainda mais vulnerável a outra queda.
Cair mais de uma vez
Por isso, uma queda nunca deve ser considerada simplesmente “coisa da idade”. A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia alerta que quedas são frequentes, mas não devem ser consideradas normais no envelhecimento.
Outro dado preocupa: quem já caiu tem maior probabilidade de cair novamente. Segundo a Organização Mundial da Saúde, pessoas que sofrem mais de uma queda têm cerca de três vezes mais chances de voltar a cair.
E onde essas quedas acontecem? Muitas vezes, dentro da própria casa, justamente no ambiente que deveria oferecer segurança. Banheiro escorregadio, tapetes soltos, móveis mal posicionados, pouca iluminação, degraus e objetos espalhados pelo caminho são perigos que podem ser eliminados.
Banheiro é um perigo
O banheiro merece atenção especial. É um dos locais mais associados às quedas de idosos, principalmente por causa da água, do piso escorregadio e da necessidade de entrar e sair do box ou levantar-se do vaso sanitário.
Leia também: O que aconteceu com meu irmão serve de alerta para cuidadores de idosos
Também é importante revisar os medicamentos usados diariamente. Alguns remédios podem provocar tontura, sonolência ou queda da pressão arterial e aumentar o risco de acidentes. Por isso, qualquer alteração no tratamento deve ser discutida com o médico, e não feita por conta própria.
Prevenir quedas significa, portanto, muito mais do que colocar uma barra de apoio no banheiro. É necessário avaliar a saúde, a visão, a força muscular, o equilíbrio, os medicamentos e o ambiente em que o idoso vive.
Exercício físico
Atividade física orientada também é uma importante aliada. Exercícios que trabalham força, equilíbrio, flexibilidade e coordenação ajudam a preservar a capacidade de caminhar e realizar as atividades do cotidiano. Os números mostram que as quedas não são um problema pequeno. No Brasil, entre 2000 e 2019, foram registrados 135.209 óbitos de idosos decorrentes de quedas, segundo estudo baseado em dados nacionais.
É preciso, portanto, mudar a maneira como encaramos esse acidente. Não se trata de aceitar que “idoso cai mesmo”. Trata-se de reconhecer que muitas quedas podem ser prevenidas.
Leia também: Musculação pode reduzir risco de demência em idosos
Envelhecer não deveria significar ter medo de andar pela própria casa. Uma casa segura, um corpo fortalecido, medicamentos bem avaliados e acompanhamento adequado podem fazer uma enorme diferença. Porque prevenir uma queda não significa apenas evitar uma fratura. Significa preservar autonomia, independência, confiança e qualidade de vida. E, para quem já passou dos 60, isso vale ouro.





