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Cada pessoa tem uma opinião sobre o envelhecimento. Eu, por exemplo, aos 75 anos, acho que, como tudo na vida, envelhecer tem suas vantagens e desvantagens. Entre as desvantagens, cito as doenças que, inevitavelmente, aparecem com a idade, as limitações físicas impostas pelo tempo e, principalmente, as perdas. E o pior é que quanto mais vivemos, mais perdemos. Das vantagens estão a maturidade, a liberdade para ser quem a gente realmente é, a experiência que adquirimos e, claro, o não se importar tanto com a opinião que os outros têm da gente.
Há, no entanto, quem discorde de mim, por se concentrar apenas no lado mais difícil do envelhecimento. E, por isso, tem uma visao bem negativa dessa última fase da vida. A atriz Paula Burlamaqui, 59, provocou muitas reações ao dizer, numa entrevista: “Eu acho que o envelhecimento é o castigo do ser humano… eu não vejo nada de bom.” Paula externou, usando outros termos, o mesmo que Cher. Em um programa de Oprah Winfrey, a cantora americana, 80 anos, resumiu sua opinião em quatro palavra:s: “Envelhecer é uma merda!”
Depois da divulgação da entrevista de Paula Burlamaqui, quem pensa diferente logo se manifestou. E uma das primeiras foi Marina Lima, 70 anos. Bem mais velha do que Paula, a cantora discordou frontalmente das afirmações da atriz: “Me dá uma pena dela… Coitada. A não ser que ela morra cedo, a Paula está condenada ao seu inferno particular,” escreveu Marina na rede social X.
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A polêmica, a meu ver, vai muito além da opinião dessas artistas sobre a passagem do tempo. E nos obriga a pensar sobre como cada um de nós aprendeu a enxergar a velhice, vivendo em uma sociedade abertamente preconceituosa em relação às pessoas mais velhas.

A jornalista Sílvia Ruiz, especializada em envelhecimento, escreveu um ótimo artigo sobre o tema no Estadão. Em determinado momento, ela levanta uma questão fundamental: quanto da nossa percepção sobre envelhecer é resultado da experiência real e quanto é construído pelo etarismo, ou preconceito de idade, que aprendemos ao longo da vida?
É uma pergunta que precisamos fazer a nós mesmas. Talvez uma parte do medo que sentimos diante da velhice não venha exatamente de envelhecer, mas das imagens negativas que a sociedade projetou e projeta sobre o envelhecimento. Durante muito tempo, envelhecer foi associado à doença, à dependência, à solidão e à inutilidade. Pouco se falou sobre liberdade, conhecimento, afetos, experiência, descobertas e a possibilidade de continuar fazendo planos.
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É claro que a gente não deve romantizar a velhice. As perdas existem, o corpo muda, algumas capacidades diminuem e ninguém passa pelos anos sem enfrentar despedidas. Mas será que envelhecer é mesmo um castigo? Eu acho que o grande desafio de pessoas como nós que passamos dos 50 anos é separar aquilo que realmente pertence ao envelhecimento daquilo que a sociedade nos ensinou a temer.
A verdade é que envelhecer não é fácil, até porque, nessa fase da vida, pensamos com muito mais frequência na nossa finitude. Mas o preconceito contra o envelhecimento consegue ser maior do que as dificuldades trazidas pela velhice.
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