O que você quer fazer antes de morrer?

Por Maya Santana
A arquiteta Candy Chang instalou em uma casa abandonada de seu bairro um painel gigantesco com a frase: "Antes de morrer, eu quero..." De uma maneira de enfrentar a morte, o painel passou a uma catarse internacional. Hoje, existe em 30 países

A arquiteta Candy Chang instalou em uma casa abandonada de seu bairro um painel gigantesco com a frase: “Antes de morrer, eu quero…” De uma maneira de enfrentar a morte, o painel passou a uma catarse internacional. Hoje, existe em 30 países

Letícia Orlandi

“Por que motivo a doença e a morte devem ser vistas como males intoleráveis que precisamos erradicar? Não será possível olhar para eles como bens necessários? Certo, certo: ninguém ama a doença e, tirando casos extremos, ninguém deseja morrer. Só que esse não é o ponto. O ponto é que, sem a doença e a morte, a vida não teria qualquer valor em si mesma. Os projetos que fazemos; as viagens com que sonhamos; os amores que temos, perdemos, procuramos; e até a descendência que deixamos – tudo isso parte da mesma premissa: o fato singelo de não termos todo o tempo do mundo. Vivemos, escolhemos, amamos – porque temos urgência em viver, escolher e amar. Se retirarmos a urgência da equação, podemos ainda viver eternamente. Mas viveremos uma eternidade de tédio em que nada tem sentido porque nada precisa ter sentido. Sem a importância do efêmero, nada se torna importante. (…) Viver até os cem? Agradeço. Cento e vinte também servem. Mas se me dissessem hoje mesmo que o meu futuro duraria uma eternidade, eu seria o primeiro a pular da janela sem hesitar.”

Em artigo recente, o escritor e doutor em ciência política português João Pereira Coutinho manifesta uma posição sobre a morte que contraria parte do pensamento mais corrente na nossa sociedade ocidental – a morte como mal intolerável – e, ao mesmo tempo, se aproxima da atitude mais encontrada entre os povos orientais. De acordo com a psiquiatra e psicoterapeuta Mariel Paturle, fundadora e ex-presidente da Sociedade de Tanatologia e Cuidados Paliativos de Minas Gerais (Sotamig) e do Grupo de Atendimento a Enlutados (GAL), nossa cultura não prepara as pessoas para lidar com a perda e com a morte. “Não queremos vivenciar o processo; e quem está passando por isso muitas vezes não tem onde procurar ajuda. São poucos profissionais que lidam diretamente com o tema”, define a psiquiatra.

Maneira como encaramos a morte está intimamente ligada à forma como levamos a vida

Maneira como encaramos a morte está intimamente ligada à forma como levamos a vida

A médica explica que alguns acabam se isolando durante o período de enfrentamento do luto – que, em média, pode durar de um a dois anos –, até mesmo porque as pessoas mais próximas acabam se cansando da conversa ‘repetitiva’ de quem passa pelo sofrimento.  Mas outros buscam ajuda – seja numa rede ampliada de amigos, redes sociais e blogs; seja apoio profissional. A lista de espera do grupo criado com apoio da Associação Médica em 2008 – com dezenas de pessoas – comprova essa situação.

Mesmo que o motivo do luto varie – a perda de alguém próximo, o diagnóstico de uma doença grave, a perda de um emprego , a morte de um bichinho de estimação – e que cada caso seja um caso, é possível estimar algumas fases do processo: 1ª: negação – algo está fora do lugar; 2ª: barganhar para que a situação mude – é o momento em que se fazem promessas, se recorre ao lado espiritual; 3ª: raiva – raiva pela perda ou de ter adquirido uma doença, por exemplo; 4ª: não adianta mais negar – é geralmente quando se cai em depressão;  5ª: aceitação.

Essas cinco fases podem ser acompanhadas por outras, dependendo do caso, e não necessariamente seguem essa ordem, de acordo com Mariel Paturle. “O luto ou a perda são cercados de características individuais. Cada um age de acordo com seus recursos psicológicos e materiais. Há casos de mães, principalmente, que perdem os filhos, e dizem nunca superar essas fases. De qualquer forma, uma característica quase sempre está presente: não aceitamos bem a mudança”, explica a médica. Leia mais em uai.com.br


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1 Comentários

Toninho Reis 22 de junho de 2013 - 04:43

Exelente materia,a vida e isso ai……….bjs

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