O segredo da Islândia, melhor país para ser mulher

Por Maya Santana
Com pouco mais de 300 mil habitantes, a Islândia é um país extraordinário em todos os sentidos

Esta é Reykjavík, capital do país de pouco mais de 300 mil habitantes

Já li muita coisa sobre a Islândia, mas nunca estive lá. O país entrou definitivamente no mapa mundial quando foi realizada em sua capital, Reykjavík, a reunião entre os presidentes das duas potências militares da época, a então União Soviética, Mikhail Gorbachev, e dos Estados Unidos, Ronald Reagan. Isso foi em 1986. Meu irmão, Zeca Santana, então correspondente do Estadão em Londres, foi escalado para cobrir o encontro de cúpula. Quando voltou, lembro-me que a primeira coisa que disse foi que o país era tão diferente que até a chuva caía meio deitada. Ele ficou muito impressionado com os islandeses e sua terra. Para se ter uma ideia do quão extraordinário é esse pequeno e gelado país é preciso ver o vídeo no pé desse artigo, publicado pela BBC Brasil.

Antes, leia o artigo:

A islandesa Annadís Rudolfsdottir ainda se lembra do dia que mudou a vida de diferentes gerações de mulheres do seu país. Em 24 de outubro de 1975, milhares de mulheres no país nórdico saíram às ruas para chamar a atenção para seus baixos salários e a falta de reconhecimento de seu papel na sociedade.

“Nem minha mãe, nem suas amigas, nem funcionárias do comércio, nem as professoras trabalharam, cozinharam ou cuidaram de seus filhos naquele dia”, contou Rudolfsdottir à BBC Mundo, que ficou sozinha em casa com sua irmã menor. Nada menos do que 90% das mulheres do país se somaram aos protestos e atos públicos naquele dia.

As islandesas são unidas. Quando há um protesto, todas vão, como nesse por salários iguais

Quando há um protesto, as islandesas se unem, como nesse por salários iguais

As empresas não tiveram alternativa a não ser receber um grande número de crianças que foram levadas ao trabalho por seus pais, já que muitas escolas, fábricas e lojas fecharam. “Foi um chamado à ação. Muitos sentem que a solidariedade mostrada neste dia abriu caminho para a eleição, cinco anos depois, de Vigdis Finnbogadottir, a primeira presidente eleita democraticamente no mundo”, ressaltou Rudolfsdottir, que coordena o programa sobre estudos de gênero da Universidade da ONU na capital islandesa, Reykjavík.

As manifestações de 1975, seguidas de ações semelhantes em 2005 e 2010, mostram a luta por trás das mudanças que explicam porque a Islândia é, pelo quinto ano consecutivo, o país número um em igualdade de gênero, segundo o ranking anual do Fórum Econômico Mundial.  Mas qual é o segredo deste país de pouco mais de 300 mil habitantes, e o que a América Latina pode aprender com o modelo islandês?

A cantora Bjork, sua filha mais famosa, ajudou a tornar o país mais conhecido

A cantora Bjork, sua filha mais famosa, ajudou a tornar o país mais conhecido

A acadêmica acredita que para encontrar as causas para a menor disparidade de gênero na Islândia é preciso olhar para as ações do movimento das mulheres, marcado pela paralisação de 1975. “Em suma, o movimento lutou duramente para criar na sociedade as estruturas necessárias para que as mulheres pudessem participar da política e do mercado de trabalho”.

Na Islândia, 82,6% das mulheres em idade economicamente ativa trabalham e respondem por 45,5% da força de trabalho. Ao mesmo tempo, elas têm uma das taxas de fertilidade mais altas da Europa, com 2,1 filhos por mulher. Como conseguem? Clique aqui para ler mais.


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1 Comentários

Samira 13 de março de 2014 - 10:02

Perfeito, gostaria de morar ai

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