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O tempero da vida

Por Maya Santana

Costuma ser difícil a busca do equilíbrio interior

A difícil arte de buscar o equilíbrio interior

Alexandre Moreira, Tarólogo

Ah!, tão difícil costuma ser a busca do equilíbrio interior… Eu quero dizer, a verdadeira busca, não aquela que tentamos alcançar através de recursos cujos efeitos colaterais são muito mais numerosos e eficazes do que a própria paz que tentamos conseguir.

Equilibrar, todos sabem, é colocar no mesmo nível dois ou mais elementos que nem sempre têm a mesma origem, a mesma composição ou peso; é saber encontrar o ponto de nivelamento entre pesos ou volumes diferentes, o ponto exato em que substâncias ou emoções se complementam, neutralizam, se juntam para formar um terceiro elemento.

Entre as 22 cartas dos Arcanos Maiores do tarot é a de número 14, a Temperança, a que melhor representa esse tipo de equilíbrio, que não é o mesmo buscado pela Justiça, visto que esta é fria, calculista, completamente isenta de sentimentos e visa submeter a todos ao mesmo tipo de lei, ao mesmo tipo de julgamento, ao mesmo tipo de pena ou resultado, visto que não se atém às diferenças, às particularidades comuns aos seres humanos.

A Temperança não. Ela não pretende homogeneizar, criar uma fórmula única, um genérico qualquer que desrespeita exatamente as pequenas e grandes diferenças que nos fazem únicos, indivíduos com recursos e carências pessoais. A Temperança é a carta que nos leva a refletir sobre como podemos harmonizar-nos interna e externamente. É a carta da antiga alquimia, é a carta símbolo dos farmacêuticos, dos curadores, daqueles que se dedicam a nos ajudar a reequilibrar o nosso corpo e o nosso espírito.

Conduzir a vida na trilha do meio, do tão propalado “caminho do meio”, não pendendo nem tanto à terra, nem tanto ao mar, não querendo resolver tudo no “8 ou 800”, não costuma ser tarefa fácil. Exige vigilância e um constante exercício interior. Não acredito que haja alguém que considere tão fácil fazer uma reeducação alimentar, por exemplo, abandonando velhos hábitos, abdicando de sabores que lhe são caros, reorganizando horários e cardápios, contando calorias e avaliando alimentos. Não é fácil, porém necessário, pois o descuido com uma alimentação balanceada provoca diversos problemas do qual a obesidade ou a esqualidez são apenas os sintomas mais superficiais, mais visíveis.

Assim como ao prepararmos, digamos, uma salada, nos preocupamos com os diversos produtos que a compõem, sejam eles folhas, sementes, frutos, etc, e com a sua aparência final, também nos ocupamos em destacar e valorizar os sabores dos seus ingredientes através da “alquimia” na combinação de temperos os mais diversos. Ela não deverá ficar salgada, apimentada, ácida de mais ou de menos. Há que haver um equilíbrio entre os diversos elementos para que desfrutemos do prazer dela nos alimentarmos.

Esses simples, corriqueiros exemplos do dia a dia da maioria das pessoas são uma miniatura, digamos, da “grande obra”, ou seja, da balanceada construção do nosso cotidiano, das nossas relações, do nosso agir, do nosso viver, enfim. A carta XIV do tarot simboliza esse contínuo trabalho de harmonização entre os mais diversos elementos que são parte integrante da nossa experiência nesta vida. Saber dosar antagonismos para deles extrair algo bom, belo e útil é o que a Temperança pode estar significando numa leitura oracular.

Que a semana que hoje se inicia seja prazerosamente bem “temperada”, com um estimulante e saudável equilíbrio entre todas as forças, elementos, interesses e emoções que nos próximos dias experimentarmos.

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