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Para Dilma: “Avalie bem se vale a pena continuar neste inferno”

Por Maya Santana
Perguntada sobre o que diria à presidente Dilma, a atriz deu a resposta acima

Perguntada sobre o que diria à presidente Dilma, a atriz, 86 deu a resposta acima

Fernanda Montenegro é uma das poucas unanimidades deste país. Elegante, discreta, com o talento e a sabedoria dos escolhidos, ela chega aos 86 anos com o mesmo brilho de um diamante bem lapidado. Tudo que vejo sobre a atriz eu leio, pois tenho a mais profunda admiração pela maneira digna como tem conduzido a sua vida e a sua arte ao longo de todas estas décadas. Nesta entrevista, concedida a Natasha R. Silva, do jornal El País, Fernanda fala um pouquinho de tudo e dá um conselho à presidente Dilma Roussef: “Avalie bem, com calma, se vale a pena continuar no inferno que você está vivendo agora.”

Leia:

Arlette Pinheiro Esteves Torres (Rio de Janeiro, 1929), mais conhecida pelo seu nome artístico, Fernanda Montenegro, é a atriz mais reconhecida do Brasil. Com o filme Central do Brasil (1998), foi a primeira atriz latino-americana a ser nomeada para um Oscar de Melhor Atriz. Não ganhou, mas com esse mesmo papel ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Berlim. Ao longo dos anos, a primeira dama do teatro do Brasil mostrou seu talento no cinema, televisão e teatro. Em 2013, ganhou o prêmio Emmy Internacional por sua atuação no filme para TV Doce de Mãe.

Pergunta. Qual foi o último livro que fez você dar gargalhadas?

Resposta. Dar gargalhadas, nenhum. No entanto, toda boa leitura é uma grande diversão.

P. Qual é seu lugar favorito no mundo?

R. Minha casa. De preferência, o meu quarto. De preferência, a minha cama.

Veja o mais recente trabalho da atriz no cinema: Infância, filme de Domingos de Oliveira, lançado no final de 2015:

P. Sobre seu trabalho, no que ele mais lhe orgulha?

R. De ter sobrevivido a 70 anos de vida pública. Comecei aos 15 anos e agora tenho 86 e as pessoas me aguentaram bem.

P. Quando foi a última vez que chorou?

R. Eu choro todos os dias, por razões subjetivas. Mas a última vez foi quando eu soube que no Rio mataram cinco jovens honestos, dignos, com 50 tiros. Em um carro, como se fosse um local de extermínio.

P. Qual é o melhor conselho que lhe deram seus pais?

R. “Tenha um ofício. Uma profissão.”

P. Qual é a sua rotina diária para ensaiar?

R. Eu não tenho nenhuma rotina sacramentada. Quando você trabalha com teatro, você vive de acordo com o grupo de trabalho. Tudo é resolvido na sociabilidade no teatro, não se faz teatro sozinho.

P. Com quem você gostaria de se sentar em uma festa?

R. Com Fernando Torres, meu marido, que já se foi. Meu companheiro de 60 anos.

P. Quando foi o mais feliz?

R. Sou feliz cada vez que vejo meus filhos e meus netos. É o momento mais feliz para mim, porque eu sei que o caminho da minha descendência não terminou comigo. Clique aqui para ler o restante da entrevista.

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