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Para os bem dispostos, que caminham animados para a velhice

Por Maya Santana

Ânimo é tudo que precisamos para continuar a percorrer o caminho

Maya Santana, 50emais

Escrito por Maria Helena RR de Sousa e publicado na revista Veja, esse é um relato de quem já chegou aos 80 e olha para trás, relacionando as novidades que foram chegando com o tempo – inclusive o surgimento do fusca, “pai do engarrafamento, o mais antipático sintoma da modernidade.” É um depoimento bonito, porque revela alguém que gosta da vida, sente prazer em viver. Não é à-toa que ela escreve: “Com dor nas costas, na nuca, nos quadris; com um cansaço muito maior que o esforço despendido; com milhares de probleminhas, sobretudo o problemão de uma mobilidade cada vez mais reduzida; com a crescente dependência em quem me ajude; lutando contra a arrogância e a insensatez dos mais moços que não se lembram que ou eles envelhecerão… agradeço a Deus ainda estar por aqui”.

Leia:

“Nunca serei velho. Para mim, só é velho quem tem quinze anos a mais do que eu.”, disse um dos mais brilhantes pensadores ingleses, Francis Bacon. Sempre achei que ele tinha toda a razão. Mas agora, ao chegar aos 80 anos e 8 meses, confesso que tenho certo pudor em achar que só é velho quem tem 95 anos ou mais…

Nasci antes do início da II Guerra Mundial. Quando meu filho era pequeno ele perguntou qual meu programa de TV favorito quando eu era criança e essa pergunta deslanchou uma lista das coisas que para ele são corriqueiras e que para mim foram chegando aos poucos. Eu mesma fiquei impressionada, que dirá o menino.

Das grandes novidades a penicilina, só disponibilizada ao público em 1941, é a mais sensacional, em minha opinião. Depois, todas as outras vacinas e remédios fantásticos que tanto prolongam nossas vidas. Na minha lista entram a TV, a transmissão direta de grandes acontecimentos mundiais, os aviões a jato, o laser, o computador, a internet, os celulares e centenas de outros inventos que tanto facilitam e tornam confortáveis nossa vida.

Os aparelhos de ar condicionado residenciais, hoje arroz de festa, foram outra grande invenção. Há quem sustente que o ambiente mais fresco que proporcionam impede que o número de tragédias domésticas seja muito maior do que é em países de verão ardente como o nosso. Além disso, segundo a revista TIME sobre o assunto, os afrescos da Capela Sixtina teriam deteriorado sem refrigeração, livros e manuscritos raros teriam se desfeito, o maior telescópio do mundo não teria funcionado, e a indústria de computadores não teria sobrevivido. Portanto, viva o ar condicionado!

Faço uma pausa para lembrar do Fusca, o querido carro besouro criado em épocas negras da história alemã. Foi e é o carrinho de que mais gosto, apesar de seu nascimento em tempos hediondos. Pena que ele também encheu nossas ruas de tal modo que até hoje eu o chamo de pai do engarrafamento, o mais antipático sintoma da modernidade.

Agradeço portanto a Deus ainda estar por aqui. Com dor nas costas, na nuca, nos quadris; com um cansaço muito maior que o esforço despendido; com milhares de probleminhas, sobretudo o problemão de uma mobilidade cada vez mais reduzida; com a crescente dependência em quem me ajude; lutando contra a arrogância e a insensatez dos mais moços que não se lembram que ou eles envelhecerão ou… Mas feliz, muito feliz.

Copio para os leitores que caminham animados para a velhice algumas citações que me apaixonaram:

Conselhos para a velhice são tolos, pois nada é mais absurdo do que aumentar a bagagem de quem se aproxima do fim da jornada. (Marco Tulio Cicero)

O segredo é carregar o espírito infantil até a velhice, o que quer dizer nunca perder o entusiasmo. (Aldous Huxley)

A velhice é a mais inesperada de todas as coisas que acontecem com o homem. (Leon Trotsky)

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