Para os novos velhos, a vida renasce aos 60 anos

Por Maya Santana
Terry Klotzel, 67: ativa e bem disposta

Terry Klotzel, 67: ativa e bem disposta

Esse artigo de Zulmira Furbino para o jornal Estado de Minas faz um retrato do que está sendo chamado de o “novo velho” – aquelas pessoas que já passaram dos 60 anos e continuam ativas, criativas, cheias de energia e de planos para o futuro. Como diz o artigo, a máxima de que a vida começa aos 40 ficou totalmente ultrapassada com estes novos tempos que vivemos.

Leia o artigo:

O conceito do envelhecimento e os marcos de idade estão mudando de forma cada vez mais rápida na vida dos brasileiros devido ao aumento da expectativa de vida da população, que saiu dos 62,7 anos em 1980 para 73,9 anos em 2013, de acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Com isso, a velha máxima de que a vida começa aos 40 ficou ultrapassada. Hoje, a vida começa mesmo é aos 60, tendência que já é responsável pela criação do termo “gerontolescência”, a adolescência da idade madura. Por trás dessa ideia de recomeço, constantemente em evolução, em vez de chuteiras dependuradas estão idosos e idosas superbem dispostos, que aproveitam essa nova fase da vida para se arriscar e apostar em novos e velhos sonhos. São eles que garantem: a vida renasce aos 60.

Para o médico, doutor em saúde pública e ex-diretor dos programas de envelhecimento da Organização Mundial de Saúde (OMS) Alexandre Kalache, isso ocorre porque as pessoas estão chegando a essa idade com mais pique, mais saúde, mais bem informadas e, como não poderia deixar de ser, com lastro financeiro. Ou seja: os gerontolescentes – termo criado pelo próprio Kalache – chegam aos 60 e ultrapassam essa idade com o espírito do agora ou nunca. “Essas pessoas estão vivendo de uma forma muito diferente dos velhinhos e velhinhas que, antes, se limitavam a ler jornal na varanda ou a fazer tricô e crochê”, explica.

Kalidja Ramm, 74: viver que nem um passarinho

Kalidja Ramm, 74: viver que nem um passarinho

De acordo com ele, hoje no Brasil existem 23 milhões de habitantes acima dos 60 anos, mas em três décadas esse número saltará para um batalhão de 64 milhões de pessoas. É a revolução da longevidade. “O envelhecimento rápido da população terá um impacto brutal na nossa forma de viver e na maneira como a sociedade se organiza, não só no que diz respeito à saúde, mas na busca pelo entretenimento e nas exigências de mudanças no espaço público. As pessoas idosas estão cada vez mais esclarecidas e exigentes”, sustenta Kalache.

Dalva Ferreira Nunes, mais conhecida como Kalidja Ramm, de 74 anos, trabalhou praticamente toda a vida com massagem terapêutica naturista e se aposentou há três anos. Já morou em diversos locais do mundo e planeja viajar ainda mais. “Depois que me aposentei, tive mais tempo para mim, mas ao mesmo tempo senti um vazio, que estou preenchendo fazendo ginástica, dando cursos de kabala, cultivando as amizades e a família”, explica. Dona de um vigor físico invejável, ela reconhece que com o tempo arranjou uma barriguinha – que está tentando perder –, mas não perde a alegria, nem a capacidade de sonhar.

Kalidja pensa em ampliar seu núcleo de estudos de kabala e espera terminar de pagar os estudos das netas para realizar um antigo sonho: viver pelo menos um ano em Santorini, uma ilha no sul do mar Egeu, na Grécia, considerada um local sagrado. “Depois que minhas netas se formarem, vou viver que nem um passarinho, voando para todo lado”, sonha a aposentada, que já planejou até mesmo a sua morte. “Espero morrer aos 104 anos, andando, bem de saúde e bastante serelepe.” Clique aqui para ler mais.


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