
Marlene Damico Lamarco
50emais
Sempre tive o desejo de transformar o mundo. Lembro-me que desde criança desejava que a minha vida fosse diferente, que tivesse muito mais doce, em todos os sentidos.
Esperava encontrar um aconchego maior e sentir o afeto de meus pais de uma maneira mais explícita, porém, havia sempre uma distância entre o meu mundinho e o deles, que eu não conseguia medir, nem transpor. Fui crescendo, fazia planos de mudanças e como não conseguia transformar pessoas eu transformava coisas: fazia arte, pintava, bordava (literalmente) e buscava uma explicação através da psicologia e da filosofia para os sentimentos desafiantes que sentia.
Como melhorar o planeta azul? Como torná-lo mais pacífico e amoroso? Era hora de sair à luta e, com quinze anos, me julgava capaz de levar adiante esse projeto.
A primeira coisa que quis modificar foram os meus pais. nada consegui, eles eram felizes, a seu modo. Eu é que observava a vida deles com os meus olhos, e, sob esta ótica, me equivoquei e atraí muitos sofrimentos inúteis. Aos 30 anos, quis transformar meu marido, aos 35, os filhos. Tentativas vãs que só criaram desarmonia, mágoas e instabilidade.
Dizem os xamãs, que as mulheres sonham os sonhos dos homens. Eu penso que está na hora de as mulheres sonharem seus próprios sonhos, incluindo os sonhos dos homens, é claro. Conta de somar, homens e mulheres tecendo os sonhos do planeta. Bonito, não?
Leia também: O tempo passou a ser a minha maior riqueza
Embora tivesse uma atitude positiva e fosse uma criatura cheia de fé na vida, havia um vazio que nada nem ninguém preenchia. Transformar pessoas só me afastava de mim mesma e daquilo que eu amava. Eu demorei quase quarenta anos para descobrir isso.
A vida sempre acha uma forma de fazer você parar e eu tive a minha: um estresse motivado pelo excesso de trabalho ao longo de uma carreira de executiva. Fui obrigada a parar e tive coragem para buscar novas saídas para me conhecer melhor e curar aquela parte machucada da alma. Nessa busca, descobri que a única pessoa que eu poderia transformar nesse planeta era eu mesma.
E o que poderia ter sido apenas uma viagem de adaptação, se transformou numa jornada riquíssima de autoconhecimento, com o aval dos deuses e do universo. A expansão da consciência me levou para um mundo cheio de surpresas e o meu coração se regozijava com coisas que antes nem percebia. Aquele vazio foi sendo preenchido naturalmente.
Novos tempos, novos dias e o cosmos atraíram para minha vida as pessoas e as experiências necessárias ao meu aprendizado evolutivo. Comecei a entender como meu coração fazia tic-tac e a achar ainda mais fascinante este laboratório chamado vida. Caminho inesgotável, apaixonante e sem volta! Graças a Deus!
A primeira coisa que descobri é que, sempre que buscarmos o amor fora de nós seremos carentes. A segunda, é que o exercício da generosidade começa em casa, e entenda-se aí, a nossa casa interior. Amar-se, aceitar-se com respeito e consideração, abrindo espaço para que a criança que mora dentro de nós se manifeste e coloque pra fora a nossa verdadeira imagem. Só o espírito, soprando sobre a matéria, pode transformar coisas banais em coisas sagradas.
No exercício dessa liberdade, você amando você e amando os outros como eles são, o seu mundo começa a fluir de uma maneira natural e prazerosa. Aí vai nascendo uma nova fé na vida e na própria capacidade para se fazer feliz.
Leia também: O tempo passou a ser a minha maior riqueza
Quando você se dá conta, o seu mundo mudou. E não foi por revolução, pois esta deixa mortos e feridos, mas por renovação. Uma energia suave que colore a vida e deixa um calorzinho no peito… um aconchego que constrói pontes, pontes de esperança, pontes que conduzem à paz.
As pessoas parecem mais amorosas, “sua família mudou”, e a sua visão de mundo vai se transformando. E a liberdade? Ela corre solta nas suas relações, e aquilo que o seu coração não compreende, você entrega para Energia Maior, o Universo, Deus, sem julgamentos, culpas, castigos ou separação. Você troca a energia do controle pela energia da entrega.
Tudo é substituído pela confiança no processo da vida e na tranqüilidade de que, afinal, no final, tudo dará certo. E dá!
Você respira alegria, confiança, amor próprio. É assim mesmo, o processo é de consciência e renovação. Ora somos mestres, ora, aprendizes.
Felizes aprendizes do amor. Só podemos transformar o mundo, começando por nós!
Leia também: Não reclame, agradeça!





